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Thursday, December 29, 2022

Remédios promissores para Alzheimer foram banho de água fria, dizem especialistas - UOL

Passado mais de um ano da aprovação do Aducanumab pela FDA (agência americana reguladora de medicamentos dos Estados Unidos), ainda são poucas as evidências de que drogas anti-amiloides provoquem melhorias significativas para a memória e capacidade mental dos pacientes de Alzheimer.

Especialistas ouvidos pela Folha foram unânimes ao considerar o novo tratamento como um banho de água fria.

O Aducanumab, da farmacêutica Biogen, e outras drogas similares, como o Lecanemab ou Gantenerumab, foram a grande promessa para o tratamento da doença nos últimos anos. Esses medicamentos são anticorpos monoclonais que inovam ao combater as moléculas beta-amiloides, que junto com as proteínas tau, se acumulam no cérebro dos enfermos e são conhecidas como as principais marcas biológicas da doença.

Paulo Caramelli, doutor em neurologia e professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), afirma que as drogas anti-amiloides conseguem remover essas proteínas do cérebro dos pacientes, mas esse efeito não se traduz em melhorias clínicas, como ganhos de cognição e alterações na memória, agitação ou insônia.

As polêmicas começaram ainda durante a aprovação do Aducanumab. Só foi observada melhoria significativa da saúde dos pacientes em um dos dois estudos clínicos de fase 3 apresentados para a FDA. No comitê de especialistas montado pela agência reguladora para avaliar o caso, dez dos onze membros recomendaram a necessidade de novos testes antes de lançar o produto no mercado.

Ainda assim, o gabinete decidiu pela sua aprovação, condicionada à apresentação de novos estudos dentro de dois anos.

O Lecanemab, também da Biogen, foi capaz melhorar em 27% as condições clínicas dos participantes de um estudo de fase 3, segundo resultados divulgados na conferência internacional Clinical Trials on Alzheimer’s Disease. Segundo o professor Caramelli, os ganhos estão abaixo do que os médicos gostariam de oferecer para pacientes e familiares.

Além disso, é possível que os resultados sejam significativos quando o medicamento é usado em pacientes de fases mais precoces de neurodegeneração. Esses dados devem ser levantados em estudos conduzidos nos próximos anos.

Estudiosos de diferentes centros de pesquisa da França reuniram em uma meta-análise os dados de eficácia clínica e segurança divulgados nos estudos de fase 3 do Aducanumab e de fase 2 do Lecanemab e Donanemab (outro anti-amiloide).

Nesta pesquisa, os especialistas concluem que as imunoterapias produzem efeitos clínicos positivos no declínio cognitivo dos pacientes após 18 meses de uso, mas consideram os resultados aquém dos valores mínimos aceitáveis e, por isso, concluíram que relação risco-benefício destes medicamentos é questionável.

Para o especialista da UFMG, os dados obtidos nas pesquisas reduzem as perspectivas de tratamento do Alzheimer pela remoção dos beta-amiloides, pois faltam evidências robustas sobre o seu papel para os sintomas da doença. As novas drogas são capazes de desacelerar a progressão da doença, mas não têm efeitos para a reversão dos sintomas.

Apesar disso, os resultados do Lecanemab podem recolocar esses medicamentos novamente no centro do debate, já que a estabilidade relativa ao progresso da doença é vista como um grande ganho.

Outra área que avançou nos últimos anos foi do diagnóstico do Alzheimer com a popularização de ferramentas que permitem a avaliação fisiológica do paciente. Em 2022, começaram a operar comercialmente no Brasil os primeiros aparelhos de tomografia por emissão de pósitrons capazes de estimar a densidade das proteínas beta-amiloide no cérebro. Até então estavam disponíveis apenas para pesquisadores.

Apesar das inovações, Ivan Okamoto, doutor em neurologia e médico do Hospital Albert Einstein, afirma que os exames clínicos deverão continuar sendo a base fundamental de diagnósticos, já que as alternativas são caras e estão disponíveis apenas no sistema privado de saúde para poucos pacientes. Além disso, testes como o líquor são muito invasivos.

Segundo o especialista, é possível apresentar um diagnóstico para 85% dos quadros de Alzheimer com avaliações feitas no próprio consultório. O médico deve traçar a história do paciente, fazer testes de força e de cognição e, em alguns casos, exames simples de tomografia ou ressonância.

"Os novos exames vêm para os casos atípicos, mais difíceis, para subir a acurácia para 95%. São situações de doença precoce em pessoas mais jovens, ou com sintomas iniciais incomuns, como alterações na linguagem", diz.

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Wednesday, December 28, 2022

Pedro Scooby celebra melhora no quadro de saúde da filha, Aurora - Globo

Pedro Scooby agradece apoio e diz que Aurora está melhorando

Pedro Scooby agradece apoio e diz que Aurora está melhorando

O ex-BBB postou um stories agradecendo as energias positivas e as orações. Ele também informou que Aurora teve uma melhora:

"Passando aqui para agradecer todas as orações e o carinho. A Aurora melhorou muito, a gente está muito feliz. Se Deus quiser, ela vai conseguir sair de lá logo. Mas quero agradecer todas as orações, todas as mensagens, todas as energias positivas que mandaram."
Pedro Scooby — Foto: Instagram

Pedro Scooby — Foto: Instagram

No último dia 27/12, Pedro deu detalhes do pós-parto da quarta filha dele, a primeira com Cintia Dicker.

"Para as pessoas que estão preocupadas, que estão mandando mensagens positivas, a Aurora passou por uma cirurgia ontem, quando nasceu, e hoje passou por outra. Por mais que eu continue sendo um cara positivo, é um momento mais delicado na minha vida". pontuou Pedro.

Ele também acrescentou que, embora a informação fosse nova para a mídia, a família já tinha conhecimento da intercorrência médica, que não foi especificada.

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Estudo mostra que novo exame de sangue pode detectar a doença de Alzheimer - Correio Braziliense

Yasmin Rajab

postado em 28/12/2022 15:56

 (crédito: Freepik/Reprodução)

(crédito: Freepik/Reprodução)

De acordo com um estudo publicado na revista Brain, nesta terça-feira (27/12)um novo biomarcador pode ser utilizado na identificação da neurodegeneração associada à doença de Alzheimer no sangue. O método pode facilitar a detecção da doença sem a necessidade de exames caros e invasivos. O estudo, de autoria de Thomas Karikari, da Universidade de Pittsburg, mostra que a descoberta pode um dia levar a um exame de sangue para diagnosticar a doença. 

Atualmente, existem três características distintas que os médicos podem detectar no cérebro do paciente antes de realizar o diagnóstico: placas de proteína amilóide; emaranhados de proteína tau; e evidências de neurodegeneração. Essas características podem ser observadas por meio dos exames de ressonância magnética, tomografia por emissão de pósitrons ou análise de amostras de líquido cefalorraquidiano obtidas por punção lombar. 

No caso da ressonância, os valores elevados tornam o exame inacessível para muitas pessoas. Já as punções lombares, podem ser dolorosas e causar efeitos colaterais, como dores de cabeça de longa duração. Essas limitações fizeram com que a equipe que realizou o estudo procurasse um novo meio que pudesse diagnosticar, de forma confiável, a doença de Alzheimer. 

Saiba Mais

Apesar da novidade, os exames de sangue para descobrir o Alzheimer já existiam para detectar a proteína amilóide anormal no plasma sanguíneo e a proteína tau fosforilada. Entretanto, o exame ainda não detecta o problema da neurodegeneração. 

Segundo o site IFLScience, o melhor biomarcador de neurodegeneração que pode ser usado para detectar no plasma sanguíneo é chamado de cadeia leve de neurofilamento. Apesar disso, os autores do estudo apontam que “é incapaz de diferenciar entre a doença de Alzheimer e outras demências devido ao seu aumento em uma ampla gama de distúrbios neurodegenerativos. Consequentemente, o campo de pesquisa da demência atualmente carece de um biomarcador sanguíneo que seja especificamente alterado como resultado de alterações neurodegenerativas do tipo Alzheimer”.

Em busca de uma nova forma de diagnóstico com mais especificidade, os pesquisadores desenvolveram um anticorpo que se liga seletivamente à BD-tau, evitando as chamadas proteínas “big tau” que são produzidas por células fora do cérebro. O novo teste de anticorpos foi realizado em mais de 600 amostras de pacientes e mostrou que era eficaz no diagnóstico do Alzheimer e na distinção da doença com outras condições neurodegenerativas. 

Se a descoberta se mostrar eficaz em pessoas de todas as origens e em diferentes estágios da doença, o novo método de detecção pode ser uma forma mais acessível e barata para diagnosticar o Alzheimer. 

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Cuidado com eles: 6 medicamentos que DETONAM a saúde dos seus rins - Edital Concursos Brasil

Quer proteger os seus rins e evitar doenças nesses órgãos? É fundamental não utilizar medicamentos de forma indiscriminada. Alguns remédios prejudicam os rins, afinal são eles os responsáveis por eliminar substâncias que circulam no sangue.

Veja também: 3 coisas que você NÃO deve fazer se quiser ter ‘bons rins’; veja as dicas

Ou seja, alguns remédios podem conter substâncias que os rins não conseguem filtrar muito bem. Isso resulta em possíveis problemas no futuro, se o uso for frequente e/ou prolongado. Entre esses problemas estão as lesões renais.

1- Antibióticos

Quando há o uso excessivo dos antibióticos, principalmente em quem tem insuficiência renal, isso pode causar lesões no tecido. 

2- Remédios para Gastrite e Azia

Um exemplo famoso é o Omeprazol. Um estudo com cerca de 170 mil pessoas mostrou um declínio da função renal com quem utilizou esse remédio em longo prazo. Porém, em alguns casos, esses medicamentos são importantes para quem tem úlcera ou refluxo severo. 



3- Contraste iodado

É aquele utilizado em exame radiológico ou tomografia. Serve para destacar áreas do corpo que estão sendo examinadas. Porém, quando usado de forma excessiva, pode trazer problemas renais. Dessa forma, pessoas com insuficiência renal devem evitar ao máximo o uso.

4- Antipsicóticos

Eles podem causar lesões nos rins quando utilizados de forma exagerada. Um estudo com mais de 200 mil pessoas com mais de 64 anos mostrou que quem toma medicamentos como a Quetiapina tem risco maior de lesão renal.

5- Laxantes

Seu uso excessivo leva a perda de sais minerais, causando lesões renais. Para quem já vive com um mau funcionamento dos rins, pode ser bastante prejudicial.

6- Anti-inflamatórios

Esses são os medicamentos que mais impactam os rins. Os anti-inflamatórios acarretam riscos de falência renal aguda e crônica. Além disso, existe o risco de insuficiência renal terminal.

Resumindo: antes de tomar qualquer remédio, fale com seu médico e esteja atento a qualquer sinal do seu corpo de que pode estar havendo uma reação ao medicamento.

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Tuesday, December 27, 2022

‘Fui parar no hospital por causa de cílios postiços’: os riscos das extensões artificiais - BBC News Brasil

  • Simone Machado
  • De São José do Rio Preto (SP) para BBC News Brasil

Foto aproximada mostra pessoa manipulando região dos cílios com pinça

Crédito, Getty Images

Adepta da extensão de cílios há quase um ano, a enfermeira Valéria Campos nunca imaginou que poderia desenvolver algum tipo de alergia ao fazer o procedimento. Porém, quatro meses após fazer a manutenção nos fios postiços — quando a cliente retorna ao salão para colocar apenas os cílios que caíram com o passar dos dias — ela notou que havia algo de errado.

A enfermeira relata que, três horas após o procedimento, suas pálpebras começaram a ficar avermelhadas, inchadas e doloridas.

"A profissional usou os mesmos materiais a que eu já estava acostumada. Mas com o passar das horas meu olho inchava e doía cada vez mais", recorda Valéria.

Por ser sábado à noite, a enfermeira precisou esperar até a manhã do dia seguinte para retornar ao salão e remover os cílios artificiais. Após a retirada, ela foi até o pronto-atendimento de um hospital em Belo Horizonte (MG), onde foi encaminhada para o atendimento oftalmológico de urgência.

Selfie de Valéria com olhos inchados

Crédito, Arquivo pessoal

"Eu praticamente não consegui dormir aquela noite, eram três horas da manhã quando acordei e já não conseguia abrir meus olhos. Segundo o médico, eu tive uma infecção, mas ele não soube precisar se foi por causa da cola ou do cílio sintético que foi usado", acrescenta.

Para se recuperar totalmente da infecção, Valéria precisou usar antibióticos por sete dias. Apesar de o problema não ter afetado em nada a visão, a enfermeira diz que seus cílios naturais não voltaram a crescer e ter o volume de antes do procedimento de extensão.

"A quantidade de cílios que eu tenho diminuiu porque tive muita perda de fios naturais", finaliza.

Por achar bonito os cílios longos e volumosos marcando o olhar, a estudante de psicologia Adne Lucilla Carvalho Santos decidiu fazer o procedimento de extensão com fios sintéticos pela primeira vez em julho. O que ela não esperava era que teria uma reação alérgica.

Minutos após terminar o procedimento, a universitária recorda que já começou a sentir incômodos nos olhos. Os primeiros sintomas da infecção foram vermelhidão e ardência.

Foto aproximada do olho de Adne, sob luz azul, em exame

Crédito, Arquivo pessoal

"Eu sabia que não era normal sentir aquela dor e no dia seguinte apareceu uma ferida no meu olho. Eu procurei atendimento oftalmológico, e a médica me alertou sobre os perigos de usar a extensão de cílios. Precisei tomar antibióticos e usar uma pomada para aliviar a dor e a irritação", recorda.

Imaginando que a alergia era devido a algum produto específico usado pela profissional que colocou seus cílios, após o tratamento, Adne buscou outro salão para colocar novamente as extensões dos fios. Mas mais uma vez teve reação alérgica.

"Eu acordei de madrugada e não conseguia abrir os olhos, fui ao banheiro e vi que eles estavam bem grudados e com muita secreção. Precisei usar a medicação novamente e vi que ter extensão de cílios não é para mim", acrescenta a universitária.

Extensões de cílios e seus riscos

O procedimento de extensão de cílios nada mais é do que "colar" fios sintéticos ou de seda em cada fio do cílio natural, fazendo com que eles fiquem com aspecto mais alongado e volumoso.

Para isso é usada uma cola especial e própria para esse tipo de procedimento.

"Se for possível, faça um teste com a substância que será usada na extensão, principalmente aquelas pessoas que costumam ter irritação ao usar produtos químicos. Esse teste é normalmente aplicado na região interna no braço e não no olho. Se após três dias ela não apresentar nenhuma reação alérgica, a pessoa pode fazer com um pouco mais de segurança", explica a médica Ediléia Bagatin, coordenadora do Departamento de Cosmiatria Dermatológica da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Apesar de parecer inofensivo, o uso contínuo de cílios artificiais, a falta de limpeza adequada e de cuidado com os fios podem causar diversos problemas que vão desde a queda dos pelos naturais, deixando os olhos expostos e desprotegidos até patologias mais graves como úlcera de córnea.

"Os cílios têm a função de proteger os olhos da entrada de luz, poeiras e outros fragmentos que fiquem suspensos no ar. Ali, ficam diariamente depositados partículas e resíduos de possíveis alérgenos. A complicação mais comum associada às extensões de cílios é a blefarite, seguida de conjuntivite alérgica, lesões corneanas, queda ou quebra dos cílios naturais", explica Claudia Del Claro, oftalmologista integrante da diretoria da Sociedade Brasileira de Oftalmologia.

Valéria sorrindo em selfie, dentro do carro

Crédito, Arquivo pessoal

A cola utilizada é um fator muito importante para evitar alergias e problemas como a ceratite (queimadura química). Além disso, os fios postiços requerem mais atenção com a limpeza — as impurezas aumentam os riscos de contaminação dos olhos.

"Para tentar minimizar complicações, a limpeza das pálpebras e dos cílios com produto específico não oleoso, ou mesmo o xampu neutro, é indicada duas vezes ao dia. É muito comum as pacientes evitarem lavar os cílios por receio de que as extensões caiam, mas é justamente ao contrário. As extensões de cílios caem precocemente quando não é feita a limpeza", acrescenta Del Claro.

O que é a ceratite e blefarite

A colocação ou manutenção inadequadas das extensões de cílios, ou até mesmo o uso errado desses fios postiços podem desencadear algumas doenças oculares. Isso porque na região dos cílios também há diversas glândulas responsáveis pela lubrificação dos olhos, que podem ser afetadas após o procedimento.

A ceratite, uma das mais comuns, é caracterizada pelo surgimento de pequenas feridas superficiais que podem surgir pelo trauma direto da cola usada para fazer a extensão dos cílios com superfície ocular. Essas lesões, apesar de superficiais, são bastante dolorosas e, normalmente, vêm acompanhadas da sensação de cisco no olho, lacrimejamento, vermelhidão e inchaço da pálpebra.

Já a blefarite é uma inflamação na pálpebra que causa vermelhidão, coceira e acumulo de secreção. Nessa doença, a gordura presente na lágrima humana fica acumulada na pálpebra, aumentando o risco de desenvolvimento de bactérias no local.

"Ao perceber qualquer incômodo após a aplicação dos cílios, a primeira conduta é lavar o local com soro fisiológico, para eliminar possíveis contaminantes que tenham atingido o olho", explica Patrícia Akaishi, oftalmologista do Hospital das Clínicas da FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo).

"E caso o problema persista, é indicado procurar ajuda médica para que se certifique que não há resíduos de cola ou fios na superfície ocular e também dar início ao tratamento."

Além disso, usar extensão de cílios por tempo prolongado pode afetar a formação arqueada dos fios naturais, fazendo com que eles não fiquem mais alinhados corretamente. Isso porque o material usado nas extensões é mais pesado do que os fios naturais.

"Eu particularmente não recomendo usar extensão de cílios por ser um procedimento com alta taxa de complicações, que pode trazer a perda definitiva dos cílios, os quais são tão importantes para a proteção ocular e até mesmo a cola pode atingir os olhos deixando sequelas definitivas na visão", acrescenta Del Claro, da Sociedade Brasileira de Oftalmologia.

O que fazer em caso de irritação

  • Lave o olho com água limpa e corrente
  • Faça a limpeza do olho com soro fisiológico
  • Não esfregue o olho (se tiver alguma lesão ela pode piorar)
  • Não tente remover qualquer objeto que esteja dentro do globo ocular
  • Procure ajuda médica

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Sob PSDB, gestão da saúde em SP fica mais privada e cai oferta de leitos do SUS - UOL

Principal marca da saúde estadual em quase três décadas de governo do PSDB em São Paulo, as OSS (organizações sociais de saúde) consomem hoje um quarto do orçamento da pasta, tiveram o modelo exportado para outros estados brasileiros, mas continuam sendo alvo de investigações por supostas irregularidades.

Essas organizações privadas sem fins lucrativos começaram a atuar no SUS paulista a partir de 1998, no mesmo ano em que foram criadas por lei federal. O governo define e planeja as políticas públicas a serem adotadas pelas OSS, além de metas de produção e de qualidade. E tem que acompanhá-las e cobrar os resultados definidos em contrato.

Atualmente, são 138 serviços estaduais de saúde sendo geridos por OSS, entre hospitais, ambulatórios de especialidades, unidades de reabilitação e farmácias de medicamentos especializados.

Em 2013, essas organizações consumiram R$ 3,15 bilhões de um orçamento de R$ 16,6 bilhões (18,9%). Em 2019, essa fatia aumentou. Foram 24,3% do orçamento (R$ 5,67 bilhões de um total de R$ 23,3 bilhões), segundo dados do Portal da Transparência.

Estudos da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo apontam que os hospitais sob gestão das OSS são até 52% mais produtivos e custam 32% menos do que os da administração direta. Porém, o modelo é considerado pouco transparente e já passou por várias investigações, que culminaram em uma CPI estadual em 2018.

Em outubro último, uma blitz do TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) em 273 hospitais/unidades de saúde paulistas, gerenciadas por OSS, encontrou vários tipos de irregularidades. Entre elas, medicamentos fora do prazo de validade (em 13% das unidades fiscalizadas), médicos ausentes de seus postos de trabalho (12%) e equipamentos de diagnóstico quebrados ou em desuso (31%).

Relatórios anteriores do TCE paulista apontaram outros problemas como o descumprimento de metas estabelecidas, médicos em número insuficiente e desrespeitando escalas de trabalho, além de denúncias de corrupção.

"As OSS são a marca registrada no PSDB, consomem o maior volume de dinheiro da secretaria estadual, mas falta uma grande avaliação do todo. Alguns estudos apontam maior eficiência econômica, melhor gestão de recursos humanos, mas existem muitos problemas e impasses", afirma Mario Scheffer, professor do departamento de medicina preventiva da USP e pesquisador do tema.

Rudi Rocha, professor da FGV, diretor de pesquisas do Ieps (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde) e coordenador de estudo que avaliou as OSS em hospitais de São Paulo, aponta a falta de transparência como um dos grandes problemas do modelo. "O maior desafio para nós [durante o estudo] foi levantar os contratos. É uma questão muito séria."

Segundo ele, embora haja avaliações positivas sobre o desempenho das organizações, do ponto de vista das evidências científicas, ainda não se sabe qual é a real relação de custo e efetividade do modelo.

Scheffer concorda e acrescenta que, com as OSS, há muita fragmentação de informações, por exemplo, sobre recursos humanos da rede estadual. "A gente ainda não consegue julgar essa modalidade de gestão pelo seu desempenho, pela qualidade da assistência. É possível, com os recursos que recebem hoje, as OSS entregarem mais? Não sabemos."

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde diz que as OSS reduziram a burocracia e agilizaram a implantação de novas unidades e a contratação de recursos humanos. Além disso, afirma a pasta, os serviços administrados pelas OSS possuem mais de 95% de aprovação da população.

Para a médica Ana Maria Malik, coordenadora da FGV Saúde, houve um aprendizado organizacional da Secretaria de Estado da Saúde na avaliação e no controle de contratos com as OSS, porém, isso não impede o descumprimento do que foi acordado. "Mas em São Paulo isso é ainda melhor do que no resto do país."

Ao mesmo tempo que a gestão dos serviços do SUS se tornou mais privada nesses quase 30 anos, a rede privada hospitalar (que atende planos e particulares) também cresceu, e a rede pública encolheu, segundo informações do Datasus.

Em 2005, por exemplo, o estado tinha 96.761 leitos de internação em geral, dos quais 64.563 eram SUS e 32.198 não SUS. Já em outubro de 2022 eram 94.064 leitos de internação em geral, com 54.952 do SUS e 39.112 não SUS. Ou seja, houve queda de 15% dos leitos SUS e aumento de 21,4% dos leitos particulares.

No mesmo período, a taxa de paulistas com planos de saúde pulou de 37% (13,8 milhões) para 43% (18 milhões). Na capital paulista, mais 50% da população tem plano de saúde com cobertura médica. No país como um todo, 26%.

Um dos reflexos da redução de leitos SUS no estado de São Paulo são as filas para cirurgias de média e alta complexidade, que pioraram com a pandemia. No início deste ano, em torno de 540 mil pessoas aguardavam cirurgias. Com mutirões e convênios com serviços privados, houve redução de 52% da fila até setembro, segundo a Secretaria de Estado da Saúde.

Em nota, a pasta diz que, nesses 28 anos de gestão do PSDB, os atendimentos em média e alta complexidade tiveram o reforço de 43 novos hospitais estaduais, sendo 22 na Grande São Paulo e 21 no interior e litoral. Entre eles, está o Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp), maior hospital oncológico da América Latina. "Antes de 1995, o estado possuía 15 esqueletos de hospitais com obras inacabadas, que foram todos concluídos ao longo desses anos", afirma a pasta.

A secretaria também cita a criação de 62 Ames (Ambulatório s Médicos de Especialidades) e 20 unidades da Rede de Reabilitação Lucy Montoro, e da Rede Hebe Camargo de Combate ao Câncer, com 95 centros de atendimentos oncológico integral em todas as regiões do estado. As instituições, segundo a pasta, ampliaram a resolutividade do SUS e reduziram o tempo de espera e a fila nos hospitais.

Toda a oferta de serviços de média e alta complexidade do estado, além de casos de urgência, é regulada pela Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde), um sistema online e que funciona 24 horas.

Para a médica Ana Maria Malik, coordenadora do FGV Saúde, ainda que haja filas, houve avanço no acesso à atenção de média e alta complexidade com a criação do Cross. "Pensando em São Paulo, em Brasil, a oferta sempre será insuficiente, mas é melhor com a Cross do que sem a Cross."

MELHORA NOS INDICADORES

Nesses quase 30 anos, alguns indicadores de saúde no estado de São Paulo deram grandes saltos positivos. A mortalidade por Aids, por exemplo, caiu 78% desde 1995, quando ocorreu o pico de mortes pela doença.

No mesmo período, a taxa de mortalidade infantil (TMI) teve uma queda de 61%. Embora a tendência de redução ocorra em todo o estado, ainda persistem as disparidades regionais.

Em 2020, a TMI no estado foi de 9,75 óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos, primeira vez na história que alcançou patamar de um dígito. Mas enquanto a região de São José do Rio Preto registrou taxa de 7,79, a da Baixada Santista foi de 11,1.

Segundo o epidemiologista Paulo Menezes, professor da USP e que já coordenou a vigilância em saúde da secretaria estadual, a região da Baixada Santista concentra uma proporção grande de pessoas vulneráveis. "Quase 50% da população mora em comunidades. Os indicadores de mortalidade infantil e materna estão sempre entre os piores do estado."

Esses indicadores de saúde, além dos determinantes sociais, são muito sensíveis à atenção primária, que é de responsabilidade dos municípios. "Permanece o desafio de uma integração maior entre os municípios", diz Menezes.

Um dos entraves é a pressão política que existe na indicação dos coordenadores regionais de saúde, que não obedece a critérios técnicos. "Esse é um grande dificultador de mudanças, de buscar soluções para reduzir essas disparidades."

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Monday, December 26, 2022

Com narcolepsia, ele tem sono incontrolável: 'Até professores faziam piada' - VivaBem

Vitor Dmetruck, 20 anos, recebeu o diagnóstico de narcolepsia na adolescência. A doença rara provoca crises de sono incontroláveis e a pessoa pode dormir "do nada" em situações que não faria isso, como ao comer, tomar banho e até no sexo. O estudante sofreu bullying na escola e não passou em um vestibular por dormir por mais de uma hora durante a prova. Mas aprendeu a controlar o problema e hoje lida bem com sua condição, como conta a seguir:

"No primeiro ano do ensino médio, com 14 anos, comecei a sentir um sono fora do normal durante as aulas.

Minha mãe achou que eu estava passando a madrugada acordado usando o celular e jogando videogame. Mas logo ela percebeu que não era o caso e buscamos ajuda médica.

Primeiro, fomos a um psiquiatra, que me encaminhou para um especialista em sono. Ao ouvir a descrição dos meus sintomas, o médico já desconfiou ser narcolepsia —o que foi confirmado por exames.

Não encarei a doença como algo ruim e iniciei o tratamento com remédios, algumas mudanças de hábito e ajustes na rotina.

O médico explicou que eu precisaria planejar minha agenda para tirar alguns cochilos durante o dia e, assim, reduzir as crises de sono.

Mesmo fazendo tudo direitinho, tenho duas a três crises por dia. Poderia ser pior: sem os cochilos, as crises diárias chegariam a 10

Vitor Dmetruck, narcolepsia - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal

Hoje, os amigos entendem a condição de Vitor e o estudante encara o problema de forma leve

Imagem: Arquivo pessoal

Na época que descobri o problema, a escola não me ajudou. Eu me sentia menosprezado pelos colegas de sala, que me viam com sono na aula e davam risadinhas maldosas, coisa de adolescente mesmo.

Até piada de professor eu ouvi. Para mim, foi um exemplo do que não fazer.

Tinha apenas dois amigos de verdade com quem podia contar. Eles se preocupavam comigo, me protegiam quando eu dormia e me ajudavam com a matéria. Foi um período bem traumático

Faculdade mudou tudo

Quando comecei a fazer graduação na Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, as coisas melhoraram muito. Tenho novos amigos que compreendem melhor minha condição. Levamos tudo com muito bom humor. Eles me chamam de 'Narco' e não vejo problema algum nisso.

Para os professores, eu me apresento e já falo da doença, para que entendam que, quando eu durmo em aula, não é por desrespeito, desinteresse ou maldade. É algo inevitável.

Minha vida hoje é bem próxima do normal. Pratico esportes, toco na bateria da faculdade, vou a festas.

Mas preciso ter sempre um plano de ação, porque a crise uma hora vem e eu vou precisar parar e dormir em algum lugar. Geralmente, um cochilo de 15 minutos resolve a situação. No entanto, pode demorar mais.

Vitor Dmetruck, narcolepsia - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal

Vitor às vezes tem crise e precisa dormir no meio da aula, mas colegas e professores respeitam sua condição

Imagem: Arquivo pessoal

A primeira vez que prestei vestibular tive uma crise de sono durante a prova, que durou uma hora e 40 minutos. Não consegui terminar o teste e reprovei, obviamente

A minha narcolepsia está em grau intermediário. Isso quer dizer que, quando o sono vem, eu ainda tenho tempo de reação. Consigo parar o que estou fazendo e ir dormir em um lugar seguro.

No entanto, o sono é muito forte e minha cognição fica imediatamente comprometida. Assim, eu não posso dirigir, já que uma crise poderia colocar a mim e a outras pessoas em perigo.

E, quando durmo, durmo pra valer. Em qualquer lugar, com o barulho que for ou sol na cara. Uma vez, dormi durante um ensaio da bateria da escola.

A narcolepsia também gera cataplexia, uma fraqueza muscular que literalmente me derruba no chão quando acontece. É algo que vem do nada e eu posso ficar uns 30 segundos assim, caído e paralisado

Costumo dizer que é diversão garantida para quem está perto. A cataplexia geralmente é despertada por uma emoção forte. No meu caso, o gatilho é sempre algo que eu considere muito engraçado.

Vitor Dmetruck, narcolepsia - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Cuidar da parte psicológica é importante pois, depois da crise de sono, geralmente bate um sentimento depressivo bem forte e temporário.

No geral, levo minha condição bom humor. A doença não tem cura e é algo com que terei de conviver para o resto da vida. Então, por que não tornar isso algo leve? Se não posso lutar contra a narcolepsia, o jeito é adaptar minha vida."

O que é narcolepsia?

Doença rara sem cura, que provoca crises de sono em situações em que pessoa normalmente não dormiria, como tomando banho, comendo e até fazendo sexo.

O tipo 1 é provocado pela deficiência de hipocretina, um neurotransmissor que ativa o sistema nervoso para nos deixar acordados. "Nesse caso, os neurônios que produzem a substância morrem", explica Alan Luiz Eckeli, neurologista e professor da USP. O quadro ainda provoca a cataplexia, fraqueza muscular que dura alguns segundos e deixa o paciente imóvel.

O tipo 2 de narcolepsia apresenta níveis normais de hipocretina e é considerado mais leve, além de não gerar cataplexia.

A doença costuma aparecer na segunda década de vida, mas já dá sinais antes —justamente como ocorreu com Vitor.

OUTROS SINTOMAS DA NARCOLEPSIA

Além das crises incontroláveis de sono e da cataplexia, o indivíduo pode ter:

  • Paralisia do sono (quando a pessoa acorda, mas não consegue se mexer);
  • Alucinações no início do sono, como se estivesse "sonhando acordado";
  • Sono noturno fragmentado, com vários despertares.

É uma doença com grande impacto na vida do paciente, que aumenta o risco de transtornos mentais e até suicídio Alan Luiz Eckeli, médico neurologista e professor do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP

TRATAMENTO

  • Uso de medicamentos que aumentam o tempo de vigília (acordado) e reduzem as crises de cataplexia;
  • Matner hábitos saudáveis, como praticar exercícios, ter uma boa alimentação, evitar o álcool e o tabagismo;
  • Ter uma boa noite de sono, dormindo por pelo menos sete horas;
  • Programar cochilos durante o dia para reduzir as crises.

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