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Tuesday, April 26, 2022

Mulheres têm mais sintomas de Covid longa do que homens, aponta estudo - UOL

Mulheres que tiveram infecção pelo vírus Sars-CoV-2 no passado apresentam mais sintomas da chamada Covid longa do que os homens, segundo um estudo feito no Hospital de Parma, na Itália.

De acordo com as pesquisas, 97% das mulheres continuaram a apresentar sintomas após a infecção pelo vírus, contra 84% dos homens —e a idade não foi um fator determinante para desenvolvê-los.

Além disso, os sintomas que eram mais frequentemente reportados pelas mulheres foram dispneia (falta de ar), fadiga, dores no peito e palpitações, e isso ocorreu tanto na fase aguda da doença quanto após pelo menos cinco meses desde o início dos sintomas.

Os pacientes foram avaliados tanto na fase hospitalar quanto depois da alta. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Parma e do Hospital de Parma e publicado na revista especializada Journal of Women’s Health.

Para avaliar a quantidade de sintomas reportados pelo menos 23 semanas (ou cinco meses) após a infecção pelo coronavírus, o grupo recrutou 223 pacientes que passaram por atendimento médico no centro hospitalar de maio de 2020 a março de 2021, sendo 134 (60%) homens e 89 (40%) mulheres.

Embora os homens tivessem, em geral, um desfecho clínico na fase aguda da doença pior, com maior risco de evoluir para um quadro grave de Covid e necessitar de internação (75% dos homens precisaram de suporte de oxigênio, contra 53% das mulheres), os sintomas vivenciados pelas mulheres na fase aguda da infecção foram iguais ou até piores na Covid longa.

O cansaço (fadiga) foi o sintoma que mais causou prejuízo às mulheres no longo prazo. Ao todo, 75% delas o reportaram pelo menos cinco meses após a infecção, contra 53% durante a fase aguda da doença. Em comparação aos homens, 39% deles se disseram com fadiga no acompanhamento após a alta hospitalar. Durante a fase aguda, eram 38%.

Em relação aos fatores de predisposição para o aparecimento dos sintomas da Covid longa, os autores encontraram que apresentar dispneia, dores no peito, palpitações, dores no corpo ou distúrbios do sono na fase aguda da doença estavam mais associados a continuar a apresentar sequelas do coronavírus meses depois.

Além disso, o sobrepeso, calculado pelo índice de massa corporal (IMC) também influenciava a falta de ar persistente. Na pesquisa, o peso médio dos integrantes, medido pelo índice de massa corporal, era acima do valor considerado ideal (IMC menor que 25) e 30% eram obesos(IMC igual ou maior a 30).

Isso influenciou no desenvolvimento de sintomas como falta de ar, uma vez que ter um IMC alto foi considerado relação correlata para apresentar dispneia como efeito de Covid longa.

Outra variável que influenciou a sensação de fadiga foi a perda de peso, e essa esteve mais associada aos indivíduos que antes apresentavam sobrepeso.

Diversos estudos apontaram entre os fatores que podem influenciar na Covid longa estão a idade e a presença de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, além do sexo.

Um estudo conduzido no Brasil apontou que 60% dos pacientes que sofreram hospitalização por Covid apresentaram sequelas meses após a saída hospitalar. Um outro trabalho, feito por pesquisadores de diversas instituições, encontrou uma piora da qualidade da vida em mais da metade dos pacientes internados.

Ainda, mesmo crianças saudáveis podem desenvolver sequelas de Covid longa, como indicou um estudo feito no Hospital das Clínicas que encontrou que 43% das crianças sofrem efeitos três meses após a infecção.

Outros fatores que podem estar associados ao aparecimento de sequelas são a presença de autoanticorpos no corpo, uma reativação do vírus Epstein-Barr, que infecta a maioria das pessoas quando jovens e permanece adormecido no organismo, ter diabetes do tipo 2 —doença que mata quase 7 milhões de pessoas por ano no mundo—, e ainda uma carga viral elevada do Sars-Cov-2 no início da infecção.

A pesquisa conduzida na Universidade de Parma também observou que pacientes que fazem uso de antivirais no início do desenvolvimento dos sintomas, como os medicamentos lopinavir e ritonavir, tiveram menor ocorrência de sintomas pós-recuperação. Em geral, os homens receberam mais medicamentos antivirais do que as mulheres no experimento.

"Além disso, estudos de acompanhamento a longo prazo são necessários para entender integralmente as fisiopatologias dos sintomas relacionadas ao gênero e os efeitos do tratamento farmacológico relacionados à Covid longa; tais estudos serão cruciais para o entendimento da trajetória natural de Covid longa e para implementar tratamentos e estratégias alvos para evitar o viés de gênero no atendimento durante a fase aguda", diz o artigo.

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Monday, April 25, 2022

Órgãos de saúde e clínicas do Piauí lamentam morte de médico que morreu em voo a caminho da lua de mel; veja repercussão - Globo

Médico do Piauí morre em avião a caminho de lua de mel nas Ilhas Maldivas

Médico do Piauí morre em avião a caminho de lua de mel nas Ilhas Maldivas

Glauto e a esposa, a publicitária Lícia Dutra Tuquarre, se casaram no sábado (23), em Teresina (PI). No domingo (24), às 20h35, o casal embarcou no aeroporto de Guarulhos-SP com destino a Doha, capital do Catar, onde ficaria uma noite antes de seguir para as Maldivas, onde ia passar a lua de mel.

Contudo, no caminho, durante voo para Doha, capital do Catar, o médico começou a passar mal, recebeu assistência, mas não resistiu e faleceu. A suspeita, segundo familiares, é que ele tenha sofrido um infarto.

Agora, o governo do Piauí, além de amigos e familiares do médico, estão em mobilização para agilizar o traslado do corpo do médico para o Brasil. Dois oficiais do Consulado brasileiro no Catar foram encontrar a esposa no aeroporto de Doha e ficarão encarregados da transferência do corpo, que devido à burocracia, deve durar cerca de três dias para chegar ao Brasil.

Confira a repercussão:

Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi)

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) vem a público manifestar profundo pesar pelo prematuro falecimento do médico oncologista Glauto Tuquarre, de 49 anos, que atuava no Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA), em Parnaíba.

Glauto Tuquarre era um profissional ético e dedicado ao trabalho, que prestou relevantes serviços à saúde do Estado do Piauí. Neste momento de tristeza, prestamos nossa solidariedade e nossas condolências aos familiares e aos amigos.

LEIA TAMBÉM

Fundação Municipal de Saúde (FMS)

A Fundação Municipal de Saúde (FMS) lamenta a morte prematura do médico Glauto Tuquarre, ocorrida, na madrugada de hoje (25), em avião com destino ao exterior. Glauto era médico no Hospital do Satélite e também oncologista, com atuação em hospitais, clínicas e faculdades.

Neste momento de dor, a FMS envia votos de pesar e solidariza com a dor dos amigos e familiares, em especial a esposa com quem Glauto havia se casado nesse sábado (23).

Conselho Regional de Medicina (CRM-PI)

O CRM-PI lamenta o falecimento prematuro do médico Glauto Tuquarre Melo do Nascimento (CRM-PI nº 2245), aos 49 anos, ocorrido na madrugada desta segunda-feira (25/04). Á todos os familiares e amigos, nosso apoio neste momento de dor.

Sindicato dos Médicos do Piauí (Simepi)

É com profundo pesar que recebemos a notícia da morte prematura do médico oncologista, Glauto Tuquarre Melo.

Glauto graduou-se em Medicina na Universidade Federal do Piauí, em 1996, onde também concluiu seu Mestrado, em 2021. Com um currículo vasto, com ampla atuação na área da oncologia dentro e fora do Piauí.

Nosso abraço fraterno a família e amigos de Glauto.

Oncoclínica

É com imenso pesar que comunicamos o falecimento do Dr. Glauto Tuquarre, médico oncologista que fez parte da nossa equipe. Aos 49 anos, ele prestou um belo trabalho à saúde, ajudando muitas pesssoas ao longo de sua carreira. Nossa solidariedade a toda família e amigos.

A Oncobem lamenta com profunda tristeza a morte de um dos seus mais brilhantes oncologistas, o Dr. Glauto Tuquarre. Médico experiente, profissional de excelência, apaixonado pela vida e por sua família, cuidava diariamente de cada um de seus pacientes, buscando o bem-estar e a cura.

Seu legado continuará inspirando a todos que tiveram a honra de conviver com sua generosidade, cuidado e amor.

Nossa solidariedade a sua filha Júlia, a esposa Lícia Dutra e todos os seus familiares. Que Deus, na sua infinita misericórdia, conforte o coração de todos.

Quem era Glauto

Médico morre em avião a caminho de lua de mel nas Ilhas Maldivas — Foto: Reprodução

Médico morre em avião a caminho de lua de mel nas Ilhas Maldivas — Foto: Reprodução

Nascido no Amazonas e formado pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), Glauto Tuquarre era especializado em oncologia.

Ele tinha mestrado em câncer de intestino e era doutorando em recidiva do câncer de mama (retorno da doença após o paciente ser considerado curado).

Considerado um profissional experiente, Glauto atuou em Roraima e no Maranhão, onde também foi professor da universidade estadual, além do Piauí.

Em Teresina, o médico era sócio de uma clínica e também já lecionou em faculdades de medicina.

Médico Glauto e a esposa Lícia que se casaram no último sábado em Teresina — Foto: Reprodução

Médico Glauto e a esposa Lícia que se casaram no último sábado em Teresina — Foto: Reprodução

VÍDEOS: as notícias mais vistas da Rede Clube

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br - Notícias de Franca e Região - GCN.net

O início de março de 2022 foi marcado por uma grande quantidade de casos de dengue, que continuam altos neste mês de abril. Mas durante os dois últimos anos, na pandemia da Covid-19, os casos de dengue não foram tão elevados. O médico infectologista Guilherme Carvalho Freire, da Unimed de Franca, explica a razão dos casos de dengue terem “sumido” nesse período de Covid-19 e esclarece outras dúvidas.

Respondendo primeiramente à questão do suposto "desaparecimento" dos casos de dengue nos anos anteriores, o médico Guilherme Freire explica que é possível entender isso ao avaliar os últimos anos da doença. “Se fizermos uma avaliação nos últimos 20 anos, é possível notar que a cada cerca de três ou quatro anos, temos um grande aumento de casos de dengue. Mas isto não quer dizer que nos outros anos não tenham tido casos da doença. No ano passado, nós tivemos casos de dengue documentados em praticamente todos os meses do ano, mas eram casos esporádicos, de certa forma controlados”, explica o infectologista.

Além deste histórico de aumento de casos a cada cerca de quatro anos, Guilherme conta que outra questão está ligada ao aumento das chuvas. “A dengue é uma doença viral aguda e já é endêmica. Ela está muita associada ao seu transmissor, que é o Aedes aegypti, que tem a capacidade de se reproduzir em locais onde há acúmulo de água. Por essa razão, em meses mais chuvosos - que na nossa região é no início do ano -, o mosquito acaba por se replicar mais, havendo maiores chances de um aumento de casos de dengue. No caso do ano passado e retrasado, foram anos em que não tivemos chuvas tão intensas como neste ano“, diz ele.

Segundo o médico, a pandemia da Covid-19 também colaborou de certa forma para a menor quantidade de casos de dengue em Franca. “O trânsito de pessoas de uma região para outra foi menos intenso. Isso fez com que eventualmente os casos diminuíssem, porque uma pessoa contaminada é picada por um mosquito e este mosquito pica outra pessoa, que passa a ficar contaminada”, explica Guilherme.

Outro fator importante durante a pandemia apontado pelo médico é a questão das pessoas ficarem mais em casa. Dessa forma, o cuidado doméstico acabou sendo maior, com as pessoas limpando mais os quintais e deixando menos água parada.

Virulência
Uma dúvida que tem sido comum sobre a dengue nas redes sociais dos francanos é a respeito da “força” que a doença tem tido atualmente. Alguns internautas até mesmo afirmam que a doença está "mais forte" desta vez, e que isso vem sendo resultado do confinamento da pandemia, que teria deixado as pessoas mais frágeis. O infectologista nega essa hipótese e explica o que pode estar acontecendo no caso dessas pessoas.

“A dengue está muito relacionada à capacidade de ação inflamatória do organismo. Então, não acredito que seja essa questão do confinamento que possa estar fazendo manifestações mais exacerbadas. Isto na verdade acaba não mudando tanto esse poder de resposta”, afirma o doutor.

Guilherme justifica que é possível que a dengue "com mais intensidade" possa estar associada ao subtipo que tem predominado na região de Franca: “Temos que lembrar que a dengue tem quatro subtipos circulando, e cada epidemia pode vir com subtipos diferentes. Tem sido descrito que na nossa região tem circulado mais a de subtipo 1, e na última epidemia foi a de subtipo 2. As pessoas tem tido sintomas de dor no corpo mais intensos. Essa pode ser sim uma característica do vírus que esteja circulando”.

Prevenção é fundamental
O infectologista conta que é difícil fazer previsões de até quando a epidemia de dengue seguirá na região. Guilherme explica que o surto será contido mais rapidamente através de um trabalho coletivo entre os gestores públicos  controlando vetores e fazendo monitoramentos, com a ajuda de todos cidadãos fazendo sua parte cuidando de seus quintais e locais em que identifiquem água parada.

A principal forma de prevenção da doença é não manter água parada, que é uma forma de diminuir os criadores do mosquito. Outra forma de prevenção é o uso de repelentes para proteção de picadas de mosquitos. O uso de roupas com mangas mais longas também é uma forma de prevenção recomendada pelo infectologista.

A Secretaria de Saúde de Franca orienta que a população deve procurar uma unidade de saúde para diagnóstico e tratamento adequados. A Secretaria lista os seguintes sintomas como os principais: febre alta - acima de 38,5°C- , dores musculares intensas, dor ao movimentar os olhos, mal estar, falta de apetite, dor de cabeça e manchas vermelhas no corpo.

O infectologista Guilherme alerta que todo suspeito de dengue deve ser notificado para a Vigilância Epidemiológica. Dessa forma, a Vigilância fica sabendo de possíveis criadores da dengue e faz uma busca ativa na região onde a pessoa fez a ligação e que possa minimizar os criadores de Aedes aegypti no local. A Vigilância Sanitária de Franca atende a população através do telefone (16) 3711-9415.

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Ou o casal, ou nada feito: por que ISTs exigem tratamento conjunto - VivaBem

Um erro comum de pessoas com ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) é ter vergonha de contar ao parceiro. Embora essas e outras infecções genitais sejam frequentemente associadas à infidelidade —caso de uma jovem que recentemente viralizou no TikTok ao compartilhar como descobriu que uma candidíase recorrente estava ligada às traições de seu ex-namorado—, isso não é uma regra.

É possível que algumas bactérias ou vírus transmitidos pelo sexo sejam resquícios de relacionamentos anteriores, já que microrganismos podem ficar incubados no organismo por meses até se manifestarem. Seja qual for o caso, o diagnóstico de uma IST não deve ficar guardado a sete chaves: é necessário não apenas buscar assistência médica, mas também comunicar aos(s) parceiros(s) para que sejam testados.

A comunicação com o outro lado é importante para interromper a cadeia de transmissão. "Se uma pessoa recebe o diagnóstico de uma IST e faz o tratamento, mas tem aquela parceria regular e o parceiro não busca assistência, a chance dela se infectar de novo é muito alta. Em outras palavras, vira um ciclo sem fim", resume Brenda Hoagland, infectologista do Laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids do INI/Fiocruz (Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fundação Oswaldo Cruz).

Atualmente, não se usa mais a sigla 'DST', D vem de doença, que implica em sintomas e sinais visíveis no organismo do indivíduo. Já infecções podem ter períodos assintomáticas (sífilis, herpes genital) ou se mantêm assintomáticas durante toda a vida do indivíduo (casos da infecção pelo HPV e vírus do herpes. O termo IST é mais adequado e usado pela OMS e pelos principais órgãos que lidam com o tema.

Se o parceiro que não buscou tratamento contrariar a recomendação de utilizar camisinha —método mais eficaz para evitar ISTs —e fizer sexo inseguro com mais pessoas, a infecção também continuará se perpetuando. Independentemente de se tratar de um relacionamento casual ou sério, especialistas ouvidos por VivaBem afirmam que discutir abertamente a saúde sexual é decisivo para reduzir os riscos de contágio.

Vírus HIV, Aids - iStock - iStock
Imagem: iStock

Para Hoagland, esse é um assunto que, na verdade, deveria ser discutido pelo casal antes mesmo de iniciar o sexo. "Mas ainda não conseguimos instituir essa cultura no Brasil", avalia a coordenadora no país do ImPrERP, estudo mundial que avalia a eficácia de uma vacina anti-HIV.

"Ainda há um tabu no início dos relacionamentos ou mesmo numa situação de sexo casual de discutir o que chamamos de status sorológico da pessoa, ou seja, perguntar se ela está com os testes em dia e se por acaso trata alguma IST. A gente deveria mudar essa nossa cultura, de forma que pudéssemos falar sobre ISTs antes mesmo da exposição. E que também houvesse a liberdade de comunicar aos parceiros [se for diagnosticada alguma IST] após a exposição", diz a médica.

Qualquer pessoa pode fazer a testagem para descobrir se tem algumas ISTs e, se tiver uma vida sexual ativa, deve realizá-la ao menos anualmente, recomenda Hoagland. Os testes, cujos resultados saem no mesmo dia, são feitos de forma gratuita pelo SUS (Sistema Único de Saúde), em unidades básicas de saúde e CTAs (Centros de Testagem e Aconselhamento). É possível diagnosticar HIV (vírus da imunodeficiência humana), sífilis e hepatites B e C.

Tratamento de IST não deve ser 'solitário'

Embora seja recomendada pelos profissionais de saúde, a orientação de comunicar às parcerias o diagnóstico de uma infecção sexualmente transmissível nem sempre é seguida à risca. Mauro Romero Leal, coordenador do setor de ISTs da UFF (Universidade Federal Fluminense) e fundador da SBDST (Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis), diz que isso depende muito do status da relação e pode variar entre homens e mulheres.

"Quando um paciente homem tem HPV e a gente pede para examinar a parceria, é mais difícil quando ele tem múltiplos parceiros. Mas, mesmo quando ele tem uma parceria única, acredite: muitas vezes, ele demora para trazer a pessoa e não raramente esconde dela que tem uma IST, ele tenta enrolar, evitando o sexo até a verruga desaparecer", exemplifica o médico, em referência às verrugas causadas pelo papilomavírus humano, que podem aparecer no pênis, vulva, vagina, ânus, colo do útero, boca ou garganta.

Muitos estudos mostram que os homens, no geral, são mais resistentes a tratamentos médicos, principalmente quando se trata de uma doença ligada à sexualidade. Isso pode ser um problema não somente para a saúde masculina, mas para a de suas parcerias sexuais, especialmente no caso de mulheres grávidas —que podem acabar transmitindo a infecção ao feto.

Exame, teste, sífilis - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

A sífilis é um exemplo. Infecção sexualmente transmissível que mais cresceu na última década no Brasil, a condição é causada pela bactéria Treponema pallidum que, além de provocar sintomas que vão desde feridas genitais à febre nos adultos, pode atravessar a placenta e desencadear efeitos ainda piores nos bebês, incluindo microcefalia, malformações e até aborto ou morte ao nascer.

O tratamento para a doença, baseado em injeções de penicilina, é simples, barato e efetivo, e o companheiro da mulher infectada também deve ser tratado, a fim de evitar a reinfecção, orienta o Ministério da Saúde. Isso significa que, se a mulher voltar a ter sexo desprotegido com o companheiro que se recusou a ser medicado, irá contrair a bactéria de novo.

Além disso, é recomendável evitar relações sexuais até que o tratamento de todos os membros da relação se complete —isso também vale para outras infecções sexualmente transmissíveis.

Segundo Leal, é mais comum que os parceiros de pacientes que têm um relacionamento fixo compareçam às consultas quando sua presença é solicitada, e é mais difícil examinar os companheiros de quem tem relacionamentos casuais. É possível que isso esteja relacionado ao desconforto de comunicar o diagnóstico de uma IST a uma parceria sexual com quem não se tem um vínculo tão recorrente, mas o próprio sistema de saúde, muitas vezes, "fecha a porta" para discutir o sexo casual, analisa o médico.

Mariana Ferreira, ginecologista e obstetra que tem um consultório particular e também trabalha como ginecologista do SUS no Rio de Janeiro, considera que os profissionais de saúde precisam estar aptos para lidar com casais que não vivem relações monogâmicas.

"O ideal é tentar quebrar esses tabus para que as pessoas possam ficar à vontade para falar sobre as suas práticas sexuais e serem orientadas", diz a médica, reforçando que uma relação estável também não garante, por si só, proteção contra as ISTs.

Parceiros assintomáticos também precisam buscar atendimento

Mesmo na ausência de sintomas, a(s) parceria(s) de uma pessoa com diagnóstico de IST devem ser testadas e precisam buscar assistência médica. Não é para menos: embora corrimentos, úlceras e verrugas genitais sejam sinais característicos das ISTs, é possível ter e transmitir uma infecção mesmo sem sinais e sintomas.

"Se houver qualquer dúvida em relação à sua saúde sexual, você deve fazer os testes e, se os testes derem positivos, deve comunicar sua parceria sexual para que ela também busque acompanhamento e tratamento", orienta Fábio Vilar, chefe do serviço de urologia do HC-UFPE (Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco).

Vilar explica que o tratamento para o casal é prescrito de acordo com a infecção. Em casos de clamídia, gonorreia e tricomoníase —doenças causadas por bactérias ou protozoários—, por exemplo, os parceiros devem tomar antibióticos (via oral, creme vaginal ou óvulo).

Herpes - iStock - iStock
Imagem: iStock

Já a herpes genital, que causa pequenas bolhas e lesões na região genital masculina e feminina, não tem cura e aparece e desaparece espontaneamente ao longo da vida do indivíduo. Por isso, são prescritos antivirais para reduzir os sintomas. Se o parceiro também tiver lesões, o tratamento será estendido a ele.

O mesmo ocorre com o HPV, cujo tratamento consiste em destruir as feridas: se a parceria também tiver verrugas genitais, receberá a prescrição terapêutica. As lesões, porém, podem reaparecer, já que não é possível eliminar o vírus.

A melhor forma de evitar contrair a doença —uma das principais causas de câncer no colo do útero— é a vacina, distribuída gratuitamente pelo SUS e indicada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos.

No caso do HIV, o tratamento adequado traz benefícios não só para a saúde e qualidade de vida do indivíduo soropositivo, mas também pode zerar seu risco de transmitir o vírus. "Uma pessoa que toma adequadamente os antirretrovirais vai ter o seu vírus no sangue —o que a gente chama de carga viral— controlado e indetectável, e dessa forma não transmite o HIV para as suas parcerias", explica Hoagland, da Fiocruz.

A infectologista ressalta que, se uma pessoa teve relação sexual desprotegida e suspeita ter contraído HIV, deve procurar um serviço de saúde até no máximo 72 horas após a relação. A chamada PEP (profilaxia pós-exposição), conjunto de remédios que devem ser ingeridos após a possível infecção, diminui significativamente o risco de contágio pelo vírus.

E a candidíase?

candidíase, mulher, coceira, região íntima - iStock - iStock
Imagem: iStock

Já a candidíase, que acometeu a jovem citada na abertura desta reportagem, não é considerada uma infecção sexualmente transmissível: na maior parte das vezes, a condição está associada à queda da imunidade e não ao ato sexual.

O problema é frequentemente provocado por um fungo chamado Candida albicans, microrganismo encontrado normalmente na flora vaginal. Por um desequilíbrio na região, o fungo pode se proliferar e causar sintomas como coceira, secreção branca e ardor ao urinar.

Somente quando o parceiro, independentemente do gênero, compartilhar desses incômodos, é que também precisará receber fármacos —os mais utilizados são os antifúngicos tópicos (cremes, óvulos, pomadas) ou sistêmicos (comprimidos).

No entanto, se o fungo for de um tipo mais raro, é possível que os microrganismos que causam a candidíase sejam transmitidos durante o sexo. Nesses casos, o companheiro, mesmo sem sintomas, também precisa ser medicado. Daí a importância de buscar um diagnóstico, principalmente se a infecção for recorrente.

Prevenção é regra número 1

Em todos os casos, uma recomendação não muda: é necessário utilizar métodos para evitar a transmissão de infecções durante todas as práticas sexuais —vaginal, anal ou oral. No sexo entre um homem e uma mulher cis ou dois homens, o preservativo é item indispensável.

Embora não haja métodos de proteção desenvolvidos especificamente para o sexo entre mulheres, é recomendável usar, por exemplo, luvas para proteger a mão e a vulva na penetração com os dedos, camisinha feminina e vibradores com preservativo.

Camisinha, preservativo - iStock - iStock
Imagem: iStock

"O que acontece muito é que as pessoas acham que estão em um relacionamento estável e tiram o preservativo, ou nem usam desde sempre. Se o casal quer tirar, que ao menos faça um acordo, conversem sobre isso", recomenda Carolina Ambrogini, coordenadora do Projeto Afrodite, ambulatório de sexualidade feminina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

"Falem 'ok, a gente não quer mais usar preservativo, então vamos fazer todos os exames, eu passo com o meu médico, você passa com o seu. E, se por acaso acontecer uma relação extraconjugal, vamos usar preservativo?'. Porque é uma coisa que não tem garantia. A gente consegue ter garantia da nossa conduta, não da conduta alheia. Por isso, o ideal é sempre usar camisinha", recomenda a ginecologista.

E, se tiver uma IST, não deixe de comunicar à sua parceria —isso evita problemas para todos os lados. "Se você estivesse no lugar da pessoa, como se sentiria ao saber que sua parceria escondeu uma IST?", indaga Leal, da UFF.

De acordo com a OMS, mais de 1 milhão de infecções sexualmente transmissíveis são adquiridas todos os dias em todo o mundo —a maioria das quais são assintomáticas—, com impactos diretos na saúde sexual e reprodutiva por meio da estigmatização, infertilidade, câncer, complicações na gravidez e aumento do risco de contrair HIV.

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Vídeo: Dupla invade hospital e executa paciente na frente da equipe médica - ISTOÉ

O paciente Gilianderson dos Santos, de 37 anos, foi executado a tiros, no domingo (23), no Hospital Santo Amaro (HSA), em Guarujá, no litoral de São Paulo. De acordo com a unidade de saúde, o homem estava prestes a receber alta médica quando foi assassinado. As informações são do G1.


Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que dois criminosos entram no local e atiram na vítima, que estava em uma cadeira de rodas. Dois funcionários do hospital estavam perto do paciente, mas não se feriram.

Conforme o Hospital Santo Amaro, Gilianderson deu entrada na unidade na sexta-feira (22) vítima de ferimento por arma de fogo na nádega e na perna. Um boletim de ocorrência foi registrado na ocasião.

De acordo com a administração do HSA, no domingo (24), uma pessoa estava esperando Gilianderson na porta da unidade. Enquanto o acompanhante aguardava a liberação do paciente, os dois homens invadiram o local.

Após a execução, a Polícia Militar foi acionada e o caso foi registrado na Delegacia Sede de Guarujá. O local foi isolado e preservado para a perícia técnica. Até o momento, nenhum suspeito foi preso.



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Sunday, April 24, 2022

Jovem com doença na perna mostra rotina no TikTok: 'Falavam para amputar' - Universa

A cearense Izabela Carvalho, 27, posta vídeos em seu TikTok como qualquer outra jovem da sua idade: mostra seu dia a dia, os novos treinos na academia e reproduz as coreografias que viraram tendência nas redes sociais. Com as publicações, ela passa uma mensagem: a de que a deficiência que tem em sua perna esquerda causada pela esclerodermia —doença inflamatória crônica que causa o endurecimento da pele— é apenas uma diferença, não uma limitação.

Por causa das sequelas da doença, Izabela passou a infância, a adolescência e parte do início da vida adulta sem usar shorts, saias ou outra peça de roupa curta. Em março de 2019, a maquiadora quis fazer um post nas redes sociais que seria sua libertação: falaria, enfim, publicamente sobre a doença, que acomete com mais frequência as mulheres e está ligada a fatores autoimunes.

"Não falava para todo mundo sobre o que eu tinha, queria me libertar disso. Fiz uma sessão de fotos e um post. O intuito era me aceitar e dizer para mim mesma que eu poderia usar o que eu quisesse. Quando postei, as pessoas me deram muito apoio, e a foto viralizou".

Três meses depois da publicação, a maquiadora decidiu comprar só roupas curtas e ir a um tradicional festival de música na região do Cariri, em Juazeiro do Norte (CE).

"Pensei que se, no festival, com mais de 100 mil pessoas, eu não ligaria para estar usando roupa curta, imagina na minha cidade? Desde esse dia, nunca mais deixei de usar o que tinha vontade."

A produtora de conteúdo Izabela Carvalho mostra dia a dia com esclerodermia - Bárbara A.V Fotografias - Bárbara A.V Fotografias

A produtora de conteúdo Izabela Carvalho mostra dia a dia com esclerodermia

Imagem: Bárbara A.V Fotografias

Com o alcance, a maquiadora viu o potencial de usar as redes para se conectar com outras pessoas com a mesma doença e ser fonte de informações confiáveis e de inspiração. Hoje, seus vídeos somam mais de 6 milhões de visualizações no TikTok, e ela tem mais de 100 mil seguidores no Instagram.

"Sempre postei vídeo de maquiagem. Fazia vídeo de desafios de make que demorava mais de cinco horas para gravar, mas depois 'flopava'. E quando eu postava fotos minhas, com a hashtag esclerodermia, as pessoas me davam um ótimo retorno. Muitas pessoas que eu nunca tinha visto na vida começaram a me procurar, e essa comunidade começou a crescer."

No final do ano passado, ela fez o primeiro vídeo de uma dança no TikTok. "As pessoas falavam que coloquei efeito na perna, tinham comentários xingando, coisas como 'essas pessoas com deficiência inventam de tudo para aparecer' ou 'a perna dela parece uma colher', e muitas pessoas dizendo que eu deveria amputar a perna. Fiquei aterrorizada, passei a noite vendo esses comentários. Mas essas mensagens, na verdade, me fortaleceram, porque eu estou tendo um alcance muito maior com mensagens positivas."

Infância de luta contra a doença

Izabela nasceu e cresceu em Campos Sales, cidade de 26 mil habitantes no interior do Ceará, na divisa com o Piauí. A família da jovem descobriu a doença quando ela tinha quatro anos. Sua mãe observou uma mancha que surgiu no joelho e progrediu para uma ferida que não cicatrizava.

"A gente morava em um sítio, minha mãe procurou vários médicos para entender o que estava acontecendo. Viajávamos para muitos lugares para fazer os exames, mas eles não sabiam dizer o que eu tinha, é uma doença rara."

Izabela e sua mãe foram para São Paulo investigar a doença. A menina foi tratada no Hospital das Clínicas, onde a equipe médica descobriu que o problema já estava muito avançado, e ela teve que fazer uma cirurgia para estacionar a progressão da doença. A mãe e a menina passaram quase um ano na capital paulista.

"Após a cirurgia, tive uma infecção, e os médicos falaram que havia riscos de ter consequências mais graves. Fiquei um ano em São Paulo e alguns meses no hospital, me tratando", relata a jovem.

"Quando eu voltei para o Ceará, não consegui manter a fisioterapia. Às vezes era muito difícil, até pelos preços, a gente não ia sempre, só quando conseguíamos os serviços pelo SUS."

Construção da autoestima

Izabela conta que não sentiu preconceito na infância, entre os amigos da escola e no convívio familiar. "Teve um episódio de uma professora de educação física que dizia que eu não poderia participar das aulas porque eu não valia, como se eu fosse 'café com leite'. E as outras crianças que falaram que sim, eu deveria participar. Essas coisas fazem a gente se sentir inútil."

A produtora de conteúdo Izabela Carvalho na infância - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal

A produtora de conteúdo Izabela Carvalho na infância, quando evitava usar shorts ou saias por conta da doença

Imagem: Arquivo pessoal

"Eu corria mais devagar, do meu jeitinho, mas brincava com meus primos e colegas de escola como qualquer outra criança."

Izabela foi crescendo e cada vez mais os pequenos comentários, às vezes escondidos como elogios, faziam a menina se sentir mal e tentar esconder a doença. "Um dia, uma amiga minha disse 'se você não tivesse esse problema na perna, você seria perfeita', que eu era 'bonita de rosto', isso quando eu estava quase começando a me aceitar."

"Mas minha mãe sempre insistia para eu me aceitar. O grande sonho dela era que eu fizesse uma cirurgia de alongamento ósseo, que corrigisse a diferença de altura entre as pernas, e fizesse um preenchimento."

A um ano de fazer a cirurgia, quando Izabela tinha 16 anos, sua mãe morreu em um acidente de trânsito, aos 42 anos. "Isso dificultou tudo para mim. Tive que cuidar da minha irmã mais nova, que tinha apenas dois anos, a última coisa que eu pensava era fazer tratamento. Ficava com receio de passar tempo fora de casa e deixá-la sozinha", lembra.

Hoje, a influenciadora conta que só faria cirurgias com o objetivo de ganhar qualidade de vida. "Não faria mais por estética. Foi difícil para mim me aceitar como sou. Por muito tempo me via nas fotos e me achava feia, não conseguia me amar. Mas a gente nunca vai conseguir estar dentro de um padrão."

Os vídeos na internet abriram muitas portas na vida da Izabela, que fechou até publicidade com marcas e empresas locais. "Ando nos lugares na minha cidade e estou sendo reconhecida", conta, orgulhosa.

A influencer Izabela Carvalho - Bárbara A.V Fotografias - Bárbara A.V Fotografias

Izabela comemora marca de 30 mil seguidores no Instagram; hoje, ela tem mais de 100 mil

Imagem: Bárbara A.V Fotografias

Seu sonho é conseguir viver como produtora de conteúdo na internet e incentivar as seguidoras a trabalharem a autoestima. Ela pretende começar a fazer vídeos também para o YouTube com o dia a dia na cidade onde vive.

"Quando você tem uma deficiência e está ali mostrando que você pode fazer o que você faz, ajuda muitas outras pessoas. Eu mesma pensava que jamais poderia fazer academia. Mas encontrei uma personal trainer que me ajuda a adaptar treinos e exercícios", conta.

"Até filtro no Instagram eu parei de usar. Quero que as pessoas gostem de mim como sou. Nenhuma condição física pode deixar a gente nos limitar. Uma das melhores coisas na vida é não ter que viver com máscara, como farsa."

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