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Sunday, September 25, 2022

Como apagão de dados sobre vacinação no Brasil traz de volta ameaça de doenças já controladas - VivaBem

No sistema oficial do Ministério da Saúde, alguns municípios não chegam nem a 5% de cobertura vacinal --número que, segundo as autoridades municipais, não corresponde à realidade. Entenda o que está por trás do problema e como ele prejudica as estratégias de saúde pública do país.

Não há dúvidas entre os profissionais de saúde e pesquisadores que as taxas de vacinação vêm caindo de forma consistente no Brasil durante os últimos anos. Na avaliação deles, porém, há um problema pouco discutido nesse setor que complica ainda mais as coisas: a falta de dados confiáveis e atualizados sobre quantos brasileiros realmente tomaram as doses dos imunizantes disponíveis na rede pública de cada município.

Na base de dados do Sistema Único de Saúde, o DataSUS, é possível encontrar mais de uma dezena de cidades cuja cobertura vacinal nem chega aos 10% —em mais de 900 delas, o índice não alcança os 50%.

Os gestores de saúde desses locais, porém, argumentam que as estatísticas oficiais não correspondem à realidade e que essa taxa, na prática, é bem maior.

O problema, dizem eles, está no excesso de burocracia, na falta de equipes e nas falhas de conexão com a internet ou acesso aos sistemas de informática mais modernos e conectados.

"É pouco provável que um município brasileiro tenha apenas 3 ou 5% de cobertura vacinal. O registro de dados simplesmente não funciona nesse país", atesta a médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Os especialistas apontam que esse descompasso entre os números oficiais e a realidade prejudica a tomada de decisões e a criação de políticas públicas mais certeiras na área de saúde —o que aumenta a ameaça de surtos de doenças erradicadas, controladas ou com poucos casos, como poliomielite, sarampo e febre amarela.

"Sem esses dados consolidados, não conhecemos a realidade do país e não é possível fazer o planejamento ou elaborar o orçamento", pontua Wilames Freire, presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

Ou seja: se os dados sobre a cobertura vacinal das cidades não batem, fica mais difícil para os governos municipais, estaduais e federal reforçarem as campanhas de comunicação, enviarem mais doses para um lugar específico, conversarem com os profissionais daquele local...

"Sem informações fidedignas, não temos condições de tomar decisões em tempo hábil", ele chama a atenção.

E um apagão de dados, por sua vez, abre a possibilidade de doenças que estão erradicadas, como a poliomielite, ou relativamente controladas, como o sarampo, voltem a representar uma ameaça.

O processo

O presidente do Conasems explica os detalhes do processo de vacinação no país.

"A pessoa chega no posto, é acolhida e conferimos se ela possui o Cartão Nacional de Saúde. Se tem, segue em frente. Se não, esse documento precisa ser produzido ali na hora."

"Após a vacinação, os dados daquele indivíduo e das vacinas que ele tomou devem ser inseridos no sistema", continua Freire.

E é justamente aí que começa o problema. "Às vezes, pelo acúmulo de trabalho, a equipe deixa para atualizar todos os dados só no final do dia", relata.

Segundo o presidente do Conasems, muitos postos de saúde também têm dificuldades nessa etapa por falta de internet ou conexão lenta.

"Daí todas aquelas fichas de papel são encaminhadas para a sede da secretaria de saúde, e um técnico fica responsável por inserir os dados, paciente por paciente, no sistema", diz.

"E isso quando ele consegue fazer esse trabalho. Não raro, o sistema trava, não abre no tempo adequado, não se comunica com outras bases...", lista.

Willames diz que, "como a prioridade das equipes é vacinar", muitas vezes essa tarefa burocrática de compilar os dados fica em segundo plano e não é feita a tempo.

"Nas primeiras fases da vacinação contra a covid-19, vi alguns municípios com mais de 100 mil fichas paradas que precisavam ser digitalizadas", lembra.

A realidade

A BBC News Brasil fez uma consulta ao sistema do DataSUS, disponível online, para conferir a cobertura vacinal dos mais de 5.500 municípios do país em 2021.

Foram considerados todos os imunizantes disponíveis na rede pública, que protegem contra doenças como poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola e pneumonia, por exemplo.

No dia 7 de setembro de 2022, os dez municípios que apareciam com as piores taxas de imunização no ano passado eram:

  • Trajano de Moraes (RJ) - 3,1% de cobertura vacinal
  • Jucuruçu (BA) - 5,2%
  • Murici dos Portelas (PI) - 5,6%
  • Belford Roxo (RJ) - 6,3%
  • Santiago (RS) - 6,9%
  • Taquara (RS) - 7,2%
  • Bom Jardim (RJ) - 7,3%
  • Crisólita (MG) - 7,6%
  • Curuá (PA) - 8,5%

A BBC News Brasil entrou em contato com os gabinetes de prefeitos, as secretarias de saúde ou as assessorias de comunicação dos dez municípios listados acima para checar essas porcentagens e saber se, na visão dessas autoridades públicas, elas representam a realidade.

Desses, quatro prefeituras enviaram respostas até a publicação desta reportagem.

A enfermeira Sofia Marinho, que é coordenadora de imunização em Trajano de Moraes desde maio deste ano, informou que "o município não inseria as doses aplicadas no sistema, o que influenciou nesses dados baixos das coberturas vacinais".

Ela também apontou que há uma diferença entre os sistemas de informática de acordo com cada local de vacinação —na sede da prefeitura, por exemplo, se usa um programa de computador, nos distritos mais afastados, outro.

"Estamos com alguns problemas na migração dos dados dos sistemas, o que também pode ser um dos motivos por trás desses números, embora a nossa realidade seja totalmente diferente", completa.

A Secretaria de Saúde de Taquara informou que "houve um problema técnico no envio de dados de vacinação do município ao Ministério da Saúde e isso já está sendo corrigido".

A enfermeira Carolline Azevedo Caetano, diretora de Vigilância em Saúde de Bom Jardim, admitiu que o município encontra-se com uma cobertura insatisfatória, "mas por causa dos sistemas de informação, e não da vacinação propriamente dita".

"Tivemos alguns problemas com os recursos humanos responsáveis pela digitação dos dados, situação que já está sendo resolvida", respondeu.

Por fim, a enfermeira Glaucimeire Moura, coordenadora de Atenção Primária na cidade de Murici dos Portelas, declarou que as porcentagens que aparecem no DataSUS "não condizem com a realidade".

"Passamos um tempo com problemas no sistema e as vacinas não puderam ser registradas", relatou.

Ela também disse que boa parte das informações de cobertura vacinal do município está registrada em livros de papel.

Moura entende que colocar as informações no sistema é relativamente fácil, mas há barreiras na implantação dessa tecnologia e falhas na internet, especialmente nas zonas rurais.

Questionado pela reportagem, o Ministério da Saúde informou que "não foram identificadas divergências nas informações dos dados sobre as coberturas vacinais referentes ao ano de 2021 e os registros nos sistemas do DataSUS".

"De todo modo, a pasta orienta aos municípios que identificarem inconsistência nos dados que reportem [essas falhas] ao Programa Nacional de Imunizações (PNI)."

A solução

Freire, do Conasems, avalia que o PNI "trouxe grandes benefícios à população brasileira", mas apresenta "problemas históricos".

"E eles estão principalmente nas bases de dados e na integração entre elas. O Ministério da Saúde possui mais de 300 sistemas de informação", calcula.

Na avaliação dele, o descompasso entre os dados dos municípios e do Governo Federal "não é surpresa".

"No momento, as prefeituras estão trabalhando com quatro campanhas de vacinação simultâneas: covid, sarampo, pólio e múltiplas doses", conta.

"E as equipes das Unidades Básicas de Saúde são pequenas para lidar com tantas demandas."

Ballalai concorda e vê a situação como "uma antiga pedra no sapato".

"Esses sistemas já mudaram uma porção de vezes e, mesmo assim, ainda apresentam muitos erros e atrasos", critica.

"Um processo burocrático desses pode ocupar profissionais que vacinavam as pessoas, mas ficam sentados na frente de um computador preenchendo fichas", lamenta.

E todo esse cenário, por sua vez, prejudica as políticas de saúde pública, avaliam os entrevistados.

Uma das faces do problema maior

Ainda que reconheçam esse grande descompasso nos dados, os especialistas entendem que a cobertura vacinal vem caindo de forma consistente no país como um todo.

O número de brasileiros imunizados contra a poliomielite, por exemplo, desabou de 99% em 2010 para 69% no ano passado.

A aplicação da primeira dose da tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) saiu de 100% há dez anos para 73% em 2021.

Em outras palavras, a queda nacional no número de vacinados é real e preocupante, mas não dá para saber com exatidão como isso está acontecendo nas cidades, especialmente nas de pequeno porte ou com menos estrutura.

"Sabemos que existe tecnologia disponível para acompanhar a cobertura não apenas de Estados e cidades, mas de cada sala de vacinação do país", complementa Freire.

E, embora a inconsistência nos sistemas de informática ajude a entender parte dessa situação, ela é apenas uma das faces de um problema bem maior.

"Vemos um desabastecimento de doses dos imunizantes em alguns lugares, a falta de campanhas nacionais adequadas e o aumento de notícias falsas ou até de um movimento antivacina no país", acrescenta Freire.

E, para elevar novamente as coberturas vacinais no país, é preciso lidar adequadamente com todas essas questões, concluem os especialistas.

Este texto foi originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62980100

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Este produto promete manter os dentes brancos para sempre, mas funciona de verdade? - PronaTEC

Manter os dentes brancos é uma luta diária de todos nós. Afinal, além de mostrar que está com a saúde bucal em dia, é uma parte fundamental do nosso corpo que está relacionada diretamente com a nossa aparência. E todos os seres humanos são vaidosos, ainda que uns sejam menos que outros.

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Afinal, quem não quer rir sem se preocupar em mostrar um sorriso amarelado ou até cáries na boca? Manter os dentes brancos é essencial para, inclusive, aumentar nossa autoestima e permitir que lidemos com o dia a dia de forma mais fácil e leve. Por isso, um novo produto pode chegar ao mercado muito em breve promete revolucionar na maneira de manter os dentes brancos para sempre. Conheça essa tecnologia revolucionária.

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Dentes brancos são sinal de higiene bucal em dia (Foto: divulgação)

O que é esse produto revolucionário?

Um estudo publicado na Sociedade Americana de Química e Materiais e Interfaces Aplicadas revela que cientistas da Universidade de Nanchang, na China, criaram um produto que promete revolucionar o mercado odontológico e mudar os parâmetros da higiene bucal para sempre. Segundo pesquisadores, um hidrogel promete manter os dentes eternamente brancos sem grandes esforços.

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De acordo com eles, a novidade seria capaz de eliminar até 94% das bactérias formadoras de cáries. Além disso, conseguiria clarear arcada dentária de todas as pessoas. Os pesquisadores alegam ainda que os atuais cremes dentais removem apenas manchas superficiais. Ademais, os atuais tratamentos de clareamento podem prejudicar o esmalte, o que pode provocar cáries e descoloração.

Veja também: 4 mitos alimentares que todo mundo acredita: descubra a verdade

Sugestões para você

Inovação que promete manter os dentes brancos funciona mesmo?

Mas como os cientistas chegaram à essa novidade? De acordo com o artigo, os envolvidos no estudo alteraram nanopartículas de dióxido de titânio para um tratamento de clareamento dental menos destrutivo. Entretanto, esse método exigia luz azul de alta intensidade, e isso pode prejudicar tanto os olhos quanto a pele do paciente. Então, foi preciso buscar um material ativado por luz verde, considerado uma alternativa mais segura.

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Feito isto, os pesquisadores fizeram uma mistura espessa de nanopartículas de nanopartículas de óxido de cobre, oxicloreto de bismuto e alginato de sódio. Com isso, eles identificaram que a substância aderiu fortemente à arcada dentária. Na sequência, o produto foi ativado pela luz verde e retirado dos dentes.

Como forma de comprovar a eficácia do produto, os cientistas testaram o hidrogel em dentes manchados por alimentos e líquidos que deixam marcas. Café, refrigerante, suco e chá são alguns exemplos básicos. Após testado e colocado, os pesquisadores averiguaram que os dentes ficaram mais brancos e o esmalte não sofreu danos. Para realizar os testes, a equipe utilizou camundongos cujas bocas foram sujas com bactérias que causam cáries. Assim, a substância impediu a formação de cavidades moderadas e profundas na superfície dos dentes dos roedores.

Como manter os dentes sempre limpos?

Como o hidrogel ainda vai passar por aprovação das agências reguladoras e pode demorar a chegar no mercado, algumas dicas importantes podem ajudar manter os dentes sempre brancos sem qualquer produto ‘milagroso’. A principal delas, claro, é sempre escovar os dentes após as refeições. Esse hábito, além de manter os dentes brancos, ajuda a ter um hálito melhor e evita cáries.

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Outras práticas importantes para manter os dentes sempre brancos e limpos é evitar exagerar em líquidos como refrigerante, café, chá e sucos. Caso você seja fumante, parar com o vício também é uma ajuda e tanto para a saúde bucal. Assim como beber bastante água durante o dia e ingerir mais alimentos com fibras, visto que eles geram atrito na superfície dos dentes, provocando uma espécie de limpeza mecânica.

Veja também: O que são voos ‘fantasmas’? Por que eles não são cancelados?

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Saturday, September 24, 2022

Verbas para a Saúde em 2023 encolhem e perdem transparência com emendas do orçamento secreto, dizem especialistas - Globo

Saúde perde orçamento e transparência, e falta de investimento dificulta redução de filas

Saúde perde orçamento e transparência, e falta de investimento dificulta redução de filas

O orçamento da Saúde deve ficar ainda mais escasso e desigual em 2023. Um cenário que, segundo especialistas, pode dificultar o atendimento de demandas represadas pela pandemia, como exames e cirurgias eletivas, e agravar problemas crônicos do sistema público, que sofre com longas filas, carência de profissionais e falta de leitos.

A proposta de orçamento do próximo ano, enviada pelo Ministério da Economia ao Congresso Nacional no fim de agosto, prevê R$ 149,9 bilhões para despesas nessa área estratégica. É o menor valor desde 2019 e apenas R$ 39 milhões acima do mínimo estabelecido por lei, que obriga, ao menos, que os montantes sejam corrigidos pela inflação do período anterior.

Em 2020 e 2021, o orçamento foi ampliado com os recursos extraordinários para combate à pandemia, que agora chegaram ao fim.

Orçamento da Saúde
Em R$ bilhões
Fonte: Ministério da Economia

Além da perda de verbas, ainda há o temor pela perda de qualidade do gasto. Isso porque quase R$ 10 bilhões das chamadas emendas de relator, conhecidas como “orçamento secreto”, foram utilizados para compor o valor mínimo necessário em Saúde para 2023, o que, segundo analistas, prejudicará o planejamento das ações do setor (veja mais abaixo nesta reportagem).

De Olho no Orçamento — Foto: Arte/g1

De Olho no Orçamento — Foto: Arte/g1

Restrição de gastos

De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Economia da Saúde (ABrES), uma sociedade civil sem fins lucrativos, a regra do teto, que impediu aumento real (acima da inflação) das despesas na área, retirou R$ 36,9 bilhões do SUS entre 2018 e 2022. E deve retirar outros R$ 22,7 bilhões em 2023.

Antes do teto, que começou a vigorar em 2017, o governo deveria aplicar 15% da receita corrente líquida em ações de Saúde. Por esse critério, seria uma despesa mínima de R$ 172,6 bilhões em 2023. Montante superior aos R$ 149,9 bilhões previstos na peça orçamentária do próximo ano.

Uso de emendas

De acordo com boletim conjunto das Consultorias de Orçamentos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, para alcançar os R$ 149,9 bilhões em despesa com Saúde (mínimo exigido pela regra do teto de gastos), o governo considerou que R$ 9,7 bilhões de emendas impositivas (individuais e de bancada) e R$ 9,9 bilhões de emendas de relator-geral (orçamento secreto) serão alocadas nesta área.

As consultorias lembram que, de acordo com a Constituição, metade do montante das emendas individuais (R$ 5,9 bilhões) tem destinação assegurada a essa área. Quanto às emendas de bancada estadual, embora não haja normativo que vincule essa destinação, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023 autoriza que até metade da reserva prevista para essas emendas (R$ 3,8 bilhões) seja carimbada para a Saúde.

Já para o caso das emendas de relator, não há qualquer regra que obrigue a destinação para a Saúde. Essas emendas ficaram conhecidas como “orçamento secreto” devido à falta de transparência e equidade na distribuição dos recursos.

Dados da Associação Brasileira da Economia da Saúde (ABrES) mostram que, somente durante o governo Bolsonaro, o percentual de participação das emendas parlamentares no orçamento da Saúde quase triplicou.

Participação das emendas parlamentares no orçamento da Saúde
Valor considera todos os tipos de emendas. Percentual de 2023 considera a proposta orçamentária, enquanto os demais consideram o orçamento do ano.
Fonte: Associação Brasileira da Economia da Saúde

E, enquanto as emendas parlamentares ganham espaço no orçamento da Saúde, programas fundamentais da pasta encolhem. Na comparação com 2022, o valor das emendas de relator cresceu 22% e o das impositivas, 13%.

Já as verbas para as seguintes ações do Ministério da Saúde tiveram queda:

  • ↓ 61,2% estruturação da rede cegonha;
  • ↓ 59% Farmácia Popular;
  • ↓ 59% Saúde indígena;
  • ↓ 56% Saúde e formação em Saúde;
  • ↓ 46,4% controle do câncer;
  • ↓ 36,8% Programa Nacional de Imunizações.

Os dados foram compilados pela ABrES e comparam orçamento 2022 com a proposta orçamentária de 2023 enviada pelo governo ao Congresso.

O que dizem analistas

Especialistas em orçamento e Saúde consultados pela GloboNews e pelo g1, avaliam que contar com as emendas parlamentares, em especial as de relator, para compor o mínimo de gastos com a Saúde fragiliza o planejamento da área, além de afetar a transparência e controle das despesas.

A procuradora do Ministério Público de Contas de São Paulo Élida Graziane afirma que recurso destinado via emendas “não é uma alocação que passa pelo crivo técnico da real prioridade do setor”.

"Isso quebra o planejamento que os prefeitos e os governadores fizeram. Porque o parlamentar, quando ele manda uma emenda que seja de relator ou mesmo a emenda impositiva, ele não se preocupa com o planejamento sanitário, ele não se preocupa com aquilo que é a real necessidade de cada estado, de cada município, com o levantamento de risco epidemiológico, as necessidades de saúde da população”, afirmou.

Gil Castello Branco, fundador da Associação Contas Abertas, avalia que há o risco de perda de qualidade na execução das despesas com Saúde.

"A aplicação do mínimo constitucional da Saúde precisa obedecer, pela Constituição, uma série de quesitos, como perfil epidemiológico, socioeconômico e populacional de estados e municípios. A destinação do RP 9 [código das emendas de relator] tem perfil político e eleitoreiro e dificilmente seguiria esses requisitos.”

Desigualdade na aplicação de recursos

Adriano Massuda, médico sanitarista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV Saúde), acrescenta que há o risco de aumentar a desigualdade no sistema de Saúde, que já sofre com distorções. Ele afirma que a falta de método na distribuição dos recursos faz que alguns locais tenham, por exemplo, equipamentos ociosos, enquanto outras regiões ficam desassistidas.

"Eu já vi acontecer casos em que em uma UPA você teve a situação de ter três aparelhos de raio-X destinados por emenda parlamentar, porque não se leva em conta o que há de presente naquela região, do ponto de vista de infraestrutura, de equipamentos", citou.

Ligia Bahia, médica e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) demonstra a mesma preocupação. "A gente pode precisar de um equipamento de ressonância nuclear magnética num determinado hospital. Mas esse não é o hospital da preferência desse ou daquele parlamentar. Então vai ocorrer esse investimento, mas não necessariamente num lugar que deveria ser priorizado", lamenta.

"Esses recursos, que já são escassos, precisam ser alocados da melhor maneira possível. Nós não podemos admitir mais no país que a gente tenha desperdícios na Saúde. E esses recursos alocados por meio de emenda é a fórmula para ter desperdício, para ter corrupção, e são coisas que a gente tem que evitar", afirma Adriano Massuda.

Cenário fiscal

Já sobre a regra do teto de gastos, a procuradora de Contas Élida Graziane explica que a área de Saúde tem custos maiores do que a inflação oficial do país, medida pelo IPCA. Ela cita como fatores de pressão adicional equipamentos e medicamentos comprados em dólar, expansão da demanda pelo SUS e envelhecimento da população.

“E nada disso é levado em conta. Uma regra que aprimore o teto certamente deveria levar em conta essa perspectiva de que a área da Saúde tem demandas muito peculiares. Uma inflação própria”, defende Graziane.

José Roberto Afonso, professor do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) e especialista em contas públicas, vê a necessidade de se reconstruir as instituições fiscais brasileiras.

“Você coloca um teto de gastos na Constituição e se aprova sucessivas emendas constitucionais ignorando esse teto. Tem uma Lei de Responsabilidade Fiscal, que está em vigor, todos tecem louvores à lei, mas, na prática, a gente vê uma sucessão de desrespeitos ao princípio, à cultura de responsabilidade fiscal”, afirma.

Nesse cenário, Afonso defende a consolidação das regras em uma única lei, com o objetivo de “harmonizar e dar consistência e coerência” a essa legislação, e um amplo debate nacional sobre as prioridades do país. “Nós estamos com problemas de financiamento na Saúde, na educação, na segurança pública, na previdência, em várias áreas. Mas não temos um debate sobre onde estamos e para onde queremos ir e sobre as nossas prioridades, já que não é possível atender tudo ao mesmo tempo.”

Ele também destaca que cerca de 85% da despesa do governo brasileiro na área da Saúde é realizada por estados e municípios: “Então, essa discussão da saúde pública é, antes de tudo, uma discussão da federação brasileira.”

Procurados para comentar a reportagem, os Ministérios da Economia e da Saúde não se manifestaram.

Diante do progressivo aumento das despesas obrigatórias e da análise de que o teto de gastos tende a levar a uma "inviabilidade administrativa e política" nos próximos anos, tanto o governo do presidente Jair Bolsonaro quanto os candidatos mais bem posicionados nas pesquisas já se articulam para alterar as regras.

O candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, tem falado em acabar com o teto de gastos, enquanto a equipe econômica de Jair Bolsonaro (PL) realiza estudos para a troca do teto de gastos por metas para a dívida pública como principal âncora das contas públicas.

Ciro Gomes (PDT) defende a revogação do teto, e Simone Tebet (MDB) prega a permanência do teto de gastos "com uma nova roupagem". A emedebista propôs, inclusive, a criação de um estado de emergência, com gastos fora do teto, para zerar as filas do SUS.

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Hábitos que aceleram o envelhecimento e pioram a flacidez - Correio Braziliense

Estado de Minas

postado em 22/09/2022 17:45

Mudanças de simples hábitos comuns do dia a dia podem retardar o envelhecimento da pele - (crédito: Freepik/Divulgação)

Mudanças de simples hábitos comuns do dia a dia podem retardar o envelhecimento da pele - (crédito: Freepik/Divulgação)

Não tem jeito, não dá para evitar os sinais do tempo na pele. Pouco a pouco rugas, manchas e marcas de expressão começam a aparecer e isso é um processo natural do nosso corpo, diz a Priscilla Martelli, CEO da Martelli Clinic.

Segundo a pesquisa do Ibope Inteligência - O que a pele conta- revelou que 94% das brasileiras com idade entre 30 e 60 anos se sentem incomodadas com algum sinal na pele do rosto. Para 36% delas, a flacidez é um dos principais problemas.

 

Priscilla Martelli, CEO da Martelli Clinic
Priscilla Martelli, CEO da Martelli Clinic (foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

De acordo com a especialista em Harmonização e Rejuvenescimento Facial, tanto a flacidez quanto as rugas são sinais de envelhecimento. Ou seja, isso acontece porque existe a perda das fibras de colágeno e elastina que sustentam os tecidos corporais. Ainda segundo o levantamento, duas a cada três mulheres têm medo que a pele do rosto envelheça.

A boa notícia, segundo a Priscilla Martelli, é que as mudanças de simples hábitos comuns do nosso dia a dia podem retardar e fazer a diferença nesse processo natural causado pelo tempo. "É importante entender que alguns fatores externos contribuem para que esse processo aconteça de forma acelerada no envelhecimento e na piora da flacidez". Mas, afinal, o que se entende por hábitos saudáveis? A doutora Priscilla responde que eles são bem mais simples do que pensamos como: dormir bem, ter uma alimentação balanceada e saudável, usar proteção solar, beber muita água e ter cuidados com a pele com uma limpeza diária e hidratação. Conhecendo um pouco sobre como manter esses hábitos alinhados a tratamentos estéticos, é possível conquistar bons resultados e melhorar a sua saúde e sua autoestima, completa.

Fique atento a alguns dos principais hábitos que você precisa reavaliar na sua vida e que podem causar ou acelerar a flacidez facial e as indesejáveis rugas. Segundo ela, o ideal é não esperar o dano acontecer para agir, mas ter cuidados preventivos. "Só assim será possível prolongar a aparência jovem e saudável da pele do rosto e do seu corpo".

Mude 5 hábitos para evitar acelerar envelhecimento e flacidez:

  1. Dormir mal prejudica a saúde. Tenha o sono da beleza! Durante o sono, nossa pele entra em vários processos de regeneração e troca de células, é também quando os hormônios de crescimento são liberados pelo nosso organismo fazendo com que a pele se renove com mais facilidade, produzindo mais colágeno.
  2. Fumar envelhece a pele: a cada tragada a liberação de radicais livres no nosso organismo aumenta. Eles atacam as fibras de colágeno e elastina e comprometem a proteína fundamental para a estrutura, elasticidade e firmeza da pele. Por conta da nicotina, a pele fica com tom amarelado podendo manchá-la!
  3. Beba água! O baixo consumo diário de água resulta em um corpo desidratado, e por sua vez, uma pele mais desidratada. Ou seja, isso acelera o envelhecimento da pele, propensa a desenvolver rugas prematuramente e afeta a consistência das fibras de colágeno.
  4. Tenha uma alimentação saudável e equilibrada. A melhor proteção contra os radicais livres considerados inimigos da pele é optar por uma dieta rica em vegetais, incluindo frutas diversas, leguminosas, cereais e hortaliças. Também priorize alimentos ricos em Vitamina C (laranja, limão, acerola, brócolis, tomate), vitamina E (amêndoas, nozes, vegetais folhosos), vitamina A (cenoura, abóbora, batata doce, melão), bioflavonoides (frutas cítricas, uvas escuras ou vermelhas). Evite açúcar em excesso, ele é responsável por outro processo de envelhecimento celular.
  5. Não abra mão do protetor solar. Seja em qual estação for. O excesso de exposição solar, e principalmente a falta de proteção solar, é a principal causadora do envelhecimento da pele e de câncer de pele.

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Novo vírus semelhante ao da covid é descoberto na Rússia - Catraca Livre

Cientistas nos EUA alertaram para um vírus recém-descoberto que é semelhante ao coronavírus, que provoca a covid-19. De acordo com a pesquisa, o patógeno circula em morcegos selvagens na Rússia e há temores de que possa infectar os humanos.

A notícia alarmou a comunidade científica porque em testes de laboratório, o vírus mostrou ser resistentes aos anticorpos produzidos pelas vacinas existentes.

laboratório

Crédito: Gorodenkoff/istock Novo vírus semelhante ao da covid-19 é descoberto

Publicado na revista científica PLoS Pathogens, o estudo sobre o vírus chamado Khhosta foi liderado por pesquisadores da Washington State University (WSU), nos Estados Unidos.

As origens exatas do vírus não são claras e estão atualmente sendo investigadas por uma equipe da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Khhosta-1 e Khhost-2 são sarbecovírus e pertencem ao mesmo subgênero do coronavírus, por isso guardam inúmeras semelhanças.

Em testes de laboratório, os pesquisadores observaram que o Khosta-1 representa um baixo risco para os seres humanos. Por outro lado, o Khosta-2 demonstrou algumas características preocupantes.

A pesquisa descobriu que tanto o Khosta-2 quanto o vírus da covid-19 podem usar a proteína de pico (Spike) da membrana celular para infectar células.

“Descobrimos que a proteína de pico do vírus Khosta-2 poderia infectar células, como patógenos humanos, usando os mesmos mecanismos de entrada, mas era resistente à neutralização pelo soro de indivíduos vacinados para SARS-CoV-2”, disseram os autores do estudo.

Os pesquisadores disseram ainda que suas descobertas destacam a importância de desenvolver vacinas que cubram um amplo espectro de vírus – não apenas uma linhagem como a covid-19.

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Aumento de casos de influenza A em SP preocupa especialistas, mas pode ser reflexo de inverno atípico - g1.globo.com

Imagem de microscopia mostra vários vírus de influenza A, causadores da gripe. — Foto: CDC/ F. A. Murphy

Imagem de microscopia mostra vários vírus de influenza A, causadores da gripe. — Foto: CDC/ F. A. Murphy

Nas últimas semanas, o número de casos positivos para a influenza A, um dos vírus da gripe, subiu de 4,3% para 23,3%. Os dados são de um levantamento do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) que analisou testes moleculares realizados por alguns laboratórios privados (a grande maioria deles, 95%, nos estados das regiões Sudeste e Centro-Oeste).

Segundo o levantamento, que considera testes de viroses respiratórias entre 20 de agosto e 17 de setembro, percentuais mais elevados de positividade para esse tipo de gripe foram observados principalmente em adolescentes de 10 a 19 anos (52,5%), depois em crianças de 5 a 9 anos (40,8%) e em bebês de 0 a 4 anos (10,6%).

Em seu último Boletim InfoGripe, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também destacou o aumento de casos do vírus na cidade de São Paulo. De acordo com a análise, a capital paulista tem registrado tendência de aumento principalmente em crianças e adolescentes.

A Secretaria de Saúde do município, porém, afirma que os casos de síndromes gripais de uma forma geral seguem em queda, embora não tenha especificado o número exato de quadros de influenza A.

Especialistas ouvidos pelo g1 ressaltam que os números preocupam, tendo em vista que a influenza pode evoluir para quadros graves, principalmente em grupos de risco, como gestantes, idosos, menores de 4 anos e imunossuprimidos, mas lembram também que existe uma vacina gratuita e eficaz contra a doença no sistema público de saúde que previne justamente esses casos.

Nessa reportagem, você vai ver:

  1. O que é a influenza A e qual a atual situação dos casos?
  2. O que explica esse aumento de casos no estado de São Paulo?
  3. O uso de máscaras deve voltar a ser obrigatório? E em escolas?
  4. Quais são os principais sintomas da influenza A?
  5. Como ocorre a transmissão?
  6. Como evitar o contágio?
  7. O que fazer em caso de suspeita?

1) O que é a influenza A e qual a atual situação dos casos?

A gripe é uma infecção aguda do sistema respiratório, provocada pelo vírus da influenza, que tem grande potencial de transmissão.

Existem quatro tipos de vírus da gripe: A, B, C e D. Os dois primeiros são mais propícios a provocar epidemias em ciclos anuais, enquanto o C costuma provocar alguns casos mais leves e o D não é conhecido por infectar ou causar doenças em humanos.

O tipo A da influenza em específico é classificado em subtipos. Embora existam mais de 130 combinações de subtipos de influenza A, as seguintes são as que mais costumam circular:

  1. A(H1N1), responsável pela pandemia de gripe suína em 2009;
  2. A(H3N2), responsável pelo surto fora de época no final de 2021.

A médica Carla Kobayashi, infectologista do Hospital Sírio Libanês, lembra que a influenza é uma doença sazonal, ou seja, ocorre justamente mais nos meses de junho a setembro, coincidindo com o outono e inverno, e a queda das temperaturas (nos estados do país onde essas estações são mais definidas, como no Sul e Sudeste).

O surto de influenza A em 2021 preocupou bastante os especialistas porque veio fora desse período esperado, quando os termômetros registravam altas temperaturas. O vírus também chegou junto com uma baixa cobertura vacinal pelo país e, para piorar, uma nova cepa do H3N2 que ainda não tinha uma ação contra uma variante específica dessa versão do vírus (Darwin) estava em circulação.

A/CA/4/09, o vírus da gripe suína. — Foto: CDC / C. S. Goldsmith and A. Balish

A/CA/4/09, o vírus da gripe suína. — Foto: CDC / C. S. Goldsmith and A. Balish

Agora, a médica lembra que a vacina da influenza está atualizada com as cepas circulantes no ano anterior (A H1N1, A Darwin H3N2 e a influenza do tipo B), mas ressalta que o atual surto registrado principalmente em São Paulo preocupa porque o imunizante é efetivo para a redução dos casos graves.

"A influenza pode se apresentar apenas como uma síndrome gripal, que causa febre, mialgia, tosse...(veja a lista completa no item 4), mas também como SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) com possibilidade de internação, necessidade de ventilação mecânica e até óbito. Em especial nos grupos de risco, como gestantes, idosos, menores de 2 anos e imunossuprimidos", diz a infectologista.

Ainda segundo o último boletim da Fiocruz, de 11 de setembro a 17 de setembro, a situação nacional indicava que:

  • 9,7% dos casos de SRAG no Brasil foram causados pela gripe A;
  • 0,8% por influenza B;
  • 8,6% por vírus sincicial respiratório;
  • E, a grande maioria deles, pelo Sars-CoV-2 (o vírus causador da Covid): 55,8%.

Em contraste, o boletim dos dias 4 a 10 de setembro, apontava :

  • 5,9% de prevalência para influenza A;
  • 0,4% para influenza B;
  • 6,7% para vírus sincicial respiratório;
  • E 63,0% para o Sars-CoV-2.

Contudo, Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe, ressalta que os dados indicam, por enquanto, que estamos vendo um aumento significativo de influenza A apenas no estado São Paulo, e que, se não tomarmos o devido cuidado (veja o que recomendam os especialistas nos itens 2 e 3), esse pode ser o início de um novo processo epidêmico.

"Dada a importância da capital paulista em termos de fluxos de pessoas para todos os centros urbanos do país, [esse aumento] serve de sentinela. Pode acontecer nos outros locais porque caso espalhe, respinga nos outros, talvez não invada, mas respinga", pontua o pesquisador.

Somente no estado de São Paulo, entre os dias 21 de agosto e 17 de setembro, a influenza A representou 20% do total de casos de SRAG, enquanto o SARS-CoV-2 respondeu por 54%. Há um mês, segundo os dados da Fiocruz, esse mesmo indicador da influenza apontava para aproximadamente 3%, enquanto o SARS-CoV-2 respondia por 90%

2) O que explica esses números?

Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, ainda é cedo para cravar o que de fato explica o aumento desses casos em São Paulo, mas Celso Granato, médico infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury, aponta um fator importante em jogo: um inverno atípico.

"A gente não tem uma explicação muito clara. Mas ainda estávamos no inverno até a semana passada. E essa é uma doença de inverno. Um inverno que foi meio atípico, né. Em primeiro lugar, porque ele estava bem frio. Em segundo lugar, porque estava oscilando muito a temperatura. Tivemos temperaturas baixas até o finalzinho da estação", ressalta Granato.

Durante esses períodos de frio, Kobayashi acrescenta que as pessoas tendem a ficar próximas umas das outras em ambientes que facilitam a transmissão viral.

“[Esse atual surto] tem mais a ver com a queda das temperaturas e o nosso comportamento social no inverno, [quando ficamos] em locais fechados (ambientes pouco ventilados) associado a maiores aglomerações”, ressalta.

"O influenza não circulou no inverno. A gente estava esperando uma onda que não veio e agora ele veio de novo fora de época, mas menos fora de época que o ano anterior", afirma o presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, Renato Kfouri.

Aliado a isso, Granato ainda destaca que o aumento do número de casos de influenza A vem acompanhado de uma vacinação recente contra a gripe, mas que não teve uma campanha muito eficaz.

Frascos da vacina contra a influenza. — Foto: Governo do Estado de São Paulo/Divulgação

Frascos da vacina contra a influenza. — Foto: Governo do Estado de São Paulo/Divulgação

Em julho, o governo do estado de São Paulo estendeu a vacinação contra a gripe a todas as pessoas com mais de 6 meses de idade. Mas, desde o início da campanha em março, apenas 69,3% do público-alvo (crianças, trabalhadores da saúde, gestantes, puérperas, indígenas, idosos e professores) receberam a imunização, segundo dados do Ministério da Saúde consultados pelo g1.

Entre as crianças menores de 5 anos, essa taxa está em torno de 64,6%. A faixa ideal de cobertura para todos os públicos é acima de 90%.

"Essa é uma vacina que tem uma proteção bastante limitada", diz Granato. "A gente vacinou muito em março, abril. Então, ela já não está com tanta eficiência agora no final de setembro. Por isso, eu acho que vale a pena mesmo a gente revacinar agora. E muitas dessas crianças talvez não tenham sido vacinadas também".

Por outro lado, Kfouri destaca que a vacinação é uma proteção individual e ressalta que a sazonalidade atípica do influenza foi influenciada muito mais pela pandemia de Covid-19. "Em 2020, nós quase não tivemos circulação de influenza no ano inteiro. Em 2021, o pico de dezembro foi atípico, completamente extemporâneo, fora do inverno. E agora, embora tenha se aproximado mais do inverno, o período de maior circulação está sendo em setembro, que também é uma circulação atípica".

"E a gente ainda não tem ideia do tamanho da epidemia deste ano. Mas está crescendo bastante. Não sabemos também ainda qual a variante do influenza A, parece ser o H3N2, mas não sabemos se é o mesmo que está na vacina", chama atenção o pediatra.

3) O uso de máscaras volta a ser obrigatório? E em escolas?

Além da vacinação, tanto Kobayashi como Granato recomendam o uso da proteção facial para conter o avanço do surto.

“A gente fica até com receio de falar isso hoje em dia porque as pessoas estão muito cansadas das máscaras, mas a gente deveria incorporar isso no nosso modo de viver”, destaca o médico infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) disse que "reforça a importância da vacinação e conscientização dos pais e responsáveis sobre a relevância da imunização de rotina e não apenas em momento epidêmico ou pandêmico" (veja a íntegra das notas no final desta reportagem).

Já a Secretaria de Educação do governo estadual afirmou que o uso de máscaras em qualquer ambiente escolar segue como uma opção individual, mas reforçou que adota protocolos sanitários que "prezam pela higienização e ventilação dos ambientes, auxiliando na não proliferação de vírus".

"A máscara é nossa vacina universal: quando você usa máscara você não pega Covid, você não pega a influenza, resfriado.

4) Quais são os principais sintomas da influenza A?

Segundo a Fiocruz, ao entrar em contato com o vírus, uma pessoa começa a manifestar os sintomas entre o primeiro e o quarto dia da infecção. Entre os principais, se destacam os seguintes:

  • Febre;
  • Calafrios;
  • Tosse;
  • Dor de garganta;
  • Nariz escorrendo ou entupido;
  • Dor muscular e/ou corporais;
  • Dor de cabeça;
  • Fadiga (cansaço);
  • Vômito e diarreia, mais comum no público infantil.

Geralmente, a recuperação leva menos de duas semanas, mas algumas pessoas podem apresentar complicações, como uma pneumonia, infecção que acomete os pulmões.

5) Como ocorre a transmissão?

Ao espirrar, tossir ou falar, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus diretamente; ou indiretamente, se a pessoa levar as mãos contaminadas à boca, nariz e olhos após entrar em contato com superfícies contaminadas.

6) Como evitar o contágio?

A Fiocruz recomenda lavar as mãos com frequência, utilizar máscaras e priorizar ambientes com circulação do ar.

Além disso, como pontuado acima, existe uma vacina gratuita contra o vírus que todos podem tomar.

A Fiocruz lembra que os imunizantes disponibilizados pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) são compostos a partir de uma regulamentação da Anvisa, que avalia as cepas em circulação dos tipos A e B da influenza nas temporadas de circulação do vírus.

"É sempre bom reforçar a importância da vacina! Principalmente para pessoas dos grupos de risco com maior chance de quadros graves", destaca a infectologista Carla Kobayashi.

7) O que fazer em caso de suspeita?

A infectologista Carla Kobayashi ressalta que os pacientes que apresentarem casos leves não precisam procurar um Posto de Saúde ou UBS imediatamente.

A atenção médica deve ser procurada se a condição persistir ou piorar. A médica destaca sinais de alerta como febre persistente, falta de ar e, no caso das crianças, apatia, sinais de desidratação e queda do estado geral.

Além disso, pessoas que correm o risco de desenvolver uma doença grave (SRAG), como gestantes, idosos, imunossuprimidos, menores de 2 anos, devem procurar o atendimento médico para avaliação e orientações.

  • Abaixo, confira na íntegra as notas enviadas ao g1:

Secretaria de Educação do Estado de São Paulo:

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) segue as orientações das autoridades sanitárias e reforça que os protocolos sanitários prezam pela higienização e ventilação dos ambientes, auxiliando na não proliferação de vírus. O uso de máscaras em qualquer ambiente escolar é uma opção individual, conforme o Decreto Estadual nº 66.575/2022.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) reforça a importância da vacinação e conscientização dos pais e responsáveis sobre a relevância da imunização de rotina e não apenas em momento epidêmico ou pandêmico. Até 30 de setembro, o Governo de SP realiza a Campanha de Multivacinação, quando as crianças e adolescentes podem atualizar a caderneta de vacinação e se proteger contra várias doenças.

Secretaria Especial de Comunicação da Cidade de São Paulo:

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS), por meio da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), informa que surtos de síndrome gripal (SG) relacionados ao vírus influenza são caracterizados pela ocorrência de dois ou mais casos suspeitos ou confirmados, em até sete dias, a partir da data de início de sintomas entre os casos. Quando há a ocorrência de surtos de SG, esses devem ser notificados para a Vigilância Epidemiológica do município.

A SMS esclarece, ainda, que durante as semanas epidemiológicas 21, 22, 23, 24 e 25 (22 de maio a 25 de junho) foram registrados 747 surtos de SG por agentes etiológicos diversos, incluindo o vírus influenza, em escolas da cidade. A partir da SE 26 até a 36 (26 de junho a 10 de setembro), foram registrados 104 surtos. Portanto, os casos de SG são monitorados e seguem em queda.

As orientações para surtos de síndrome gripal pelo vírus influenza podem ser acessadas neste link: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/informe_tecnico_04_2019_sindrome_gripal.pdf A Secretaria Municipal de Educação (SME) destaca que as escolas da Rede Municipal de Ensino seguem os protocolos sanitários definidos pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), da Secretaria Municipal da Saúde.

As áreas da Saúde e Educação fazem um trabalho conjunto visando o controle da transmissão de vírus na comunidade escolar. A SMS monitora as unidades escolares e dá suporte técnico para investigação de casos junto às UBS e Unidades de Vigilância em Saúde (UVIS).

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Aumento de casos de influenza A em SP preocupa especialistas, mas pode ser reflexo de inverno atípico - g1.globo.com
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Friday, September 23, 2022

"Fui ao ginecologista com suspeita de gravidez e descobri que tinha dois úteros", diz mulher de 19 anos - Crescer

Quando a baiana Kailane de Sena Silva, de 19 anos, foi ao ginecologista, há três meses, ela chegou com uma suspeita de gravidez e saiu do consultório com o diagnóstico de útero didelfo, que constitui em uma malformação uterina caracterizada pela formação de dois úteros. "Fiquei assustada! Quando vi na tela, achei que estava grávida de gêmeos", conta a jovem. 

Natural de Valente (BA) e moradora de Coité (BA), Kailane relatou sobre sua condição em seu perfil no Instagram e seu vídeo alcançou mais de 280 mil visualizações. Em entrevista exclusiva à CRESCER, ela conta que antes do diagnóstico tinha um ciclo menstrual muito desregulado e tinha fortes cólicas menstruais. Após fazer um exame transvaginal, ela acabou descobrindo que tinha uma malformação uterina. Porém, por enquanto, ela ainda não sabe como será o seu acompanhamento médico.

Mulher de 19 anos tem dois úteros (Foto: Arquivo Pessoal )

Mulher de 19 anos tem dois úteros (Foto: Arquivo Pessoal )

A baiana, ainda, revela que pretende engravidar. No entanto, terá que se planejar bem, porque, além do útero didelfo, ela tem epilepsia, então, precisa conversar com um médico sobre a suspensão dos seus medicamentos. "Eu também posso engravidar nos dois úteros ou ter um aborto espontâneo. Então, tudo tem que ser feito com muita calma e cautela", afirma ela. Apesar do susto, Kailane está confiante: "Tudo dará certo", ressaltou. 

O que é o útero didelfo

Segundo o médico Wagner Hernandez (SP), que é obstetra especialista em gestação gemelar e de alto risco, o útero didelfo ocorre devido a uma malformação no útero. "Normalmente, há a fusão de duas estruturas que formam o útero, só que nessas mulheres acaba não ocorrendo essa fusão e elas têm dois colos de úteros.", explica o especialista. 

O obstetra também aponta que muitas mulheres são assintomáticas e só vão descobrir que têm uma malformação uterina quando engravidam. Em alguns casos, as mulheres podem ter uma das saídas do colo do útero obstruída por um septo vaginal e, assim, elas têm um maior desconforto. Nesse caso, é possível que o médico recomende uma cirurgia, porém, nos outros casos, é feito apenas um acompanhamento médico. 

As mulheres com útero didelfo também podem ter duas vaginas, mas isso só em alguns casos. Para identificar a malformação, é possível fazer um ultrassom transvaginal e, eventualmente, uma ressonância magnética. 

Para as mulheres que querem engravidar, é necessário fazer um acompanhamento médico cuidadoso, já que há mais risco de parto prematuro e de aborto espontâneo. O bebê também pode não ficar na posição correta, então, há mais chances da mulher precisar fazer uma cesárea. Além disso, por mais curioso que seja, é possível, sim, que a mulher engravide de gêmeos, com um feto em cada útero.

Para as mulheres que querem evitar uma gravidez, não se recomenda o uso do DIU de cobre. Quanto à indicação do anticoncepcional, não há mudança na dosagem. 

Se você tiver ou conhecer uma história que quiser compartilhar com a CRESCER, mande para o nosso e-mail redacaocrescer@gmail.com.

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Governo de Minas entrega 11 ônibus do Transporta SUS em Curvelo - Agência Minas Gerais

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